A classe C chega ao e-commerce  
Revista Alshop Notícias  
30/11/2006  
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A classe C chega ao e-commerce

A adesão da classe C, a entrada de grandes lojas tradicionais no comércio eletrônico e um 1° semestre sem crises, pelo menos para a economia brasileira, influenciaram diretamente no crescimento das vendas das lojas virtuais brasileiras em 2006. Segundo dados da 14ª edição de nosso relatório Web Shoppers (www.webshoppers.com.br), os varejistas da internet registraram um faturamento de R$ 1,75 bilhão nos primeiros seis meses de 2006, número que representa um crescimento nominal de 79% no faturamento sobre o mesmo período do ano passado. Para se ter idéia, o comércio eletrônico faturou entre janeiro e junho de 2006 o mesmo que todo o ano de 2004.

Algumas das causas para o aumento do consumo via internet por classes menos favorecidas devem-se, principalmente, à venda de computadores populares, à maior penetração da banda larga, ao crescimento número de pontos públicos de acesso à internet e ao aumento do número de cartões de crédito entre pessoas de baixa renda. A população de menor renda passou a ter mais acesso à internet com a popularização do computador, e, gradativamente, passa a utilizara internet para outros serviços além de ler notícias e verificar e-mails.
Esse panorama pode ser comprovado se fizermos um cálculo da renda média do e-consumidor. Em 2001 constatamos que os adeptos das compras virtuais tinham renda familiar aproximada de R$ 4.014. Já em 2006, esse valor caiu para R$3.683.

Ainda segundo o nosso levantamento, baseado em 386 mil questionários coletados entre consumidores de 600 lojas virtuais, apenas nos seis primeiros meses do ano a participação das mulheres como consumidoras na internet cresceu cerca de três pontos percentuais em apenas um ano. Nossos dados mostram que ao final do primeiro semestre de 2005, as mulheres eram responsáveis por aproximadamente 41% das compras on-line realizadas no Brasil. No entanto, em junho de 2006, o número de pedidos realizados pelo público feminino na internet saltou para 44%.
A adesão de consumidores da classe C e das mulheres ao comércio eletrônico colaboraram para um aumento de cerca de 44% na base total de usuários do e-commerce brasileiro. Ao final de junho de 2005, havia cerca de 4 milhões de adeptos das compras virtuais. Agora, já são cerca de 5,75 milhões de pessoas. Outro fator que contribuiu para alavancar as vendas no comércio eletrônico foi a diversidade de datas comemorativas no primeiro semestre do ano. Além do Dia das Mães, considerado o Natal do primeiro semestre, e do Dia dos Namorados, esse ano a Copa do Mundo de futebol foi grande impulsionadora para as vendas de produtos eletrônicos, principalmente televisores e home theathers.

Do dia 29 de abril ao dia 30 de junho, período que compreende as vendas para as três datas, houve um faturamento bruto de R$ 690 milhões com a venda de produtos pela internet. Com o resultado apresentado no primeiro semestre, a previsão é de que o comércio eletrônico no Brasil deverá superar o faturamento de R$ 4 bilhões e crescer mais de 60% em 2006. Estamos otimistas com a possibilidade de termos o melhor ano em vendas e faturamento de toda a história do e-commerce nacional.

Porém, mais importante do que os números, consideramos o sinal de que o comércio eletrônico no Brasil começa a conquistar espaço também entre consumidores de classes sociais que antes sequer tinham acesso à internet e agora passam a adquirir produtos e serviços diretamente em seus computa-dores pessoais, tendo a comodidade de receber suas compras sem precisar sair do conforto de seus lares. Estamos começando a assistir uma maior democratização do e-commerce no Brasil, no qual, por meio de políticas de inclusão social e crescimento econômico, nos tornemos ainda mais expressivos no cenário do e-commerce mundial.