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Internauta tem maior intenção de compra que cliente das lojas de rua
DCI
31/08/2002

O comércio de rua deve se preparar porque o paulistano vai esperar mais um pouco para fazer suas compras. Já na Internet, ao contrário, o índice de pessoas que não tenciona comprar nada é bem reduzido. A conclusão é de duas pesquisas realizadas pelo Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP) .

Na primeira pesquisa, sobre a expectativa de consumo no comércio de rua, 78,1% dos entrevistados decidiram suspender suas compras pelo menos até outubro. Na outra, que mede a intenção de compra na Internet no mesmo período, apenas 5,4% não têm intenção de comprar.

"A diferença básica entre os resultados é o poder aquisitivo dos dois públicos: quem frequenta o comércio de rua está com a renda comprimida e sem condições de comprar. Já quem costuma comprar pela internet pertence à classe A, tem renda suficiente para gastar", comenta João Paulo Lara de Siqueira, coordenador do Provar.

Ele lembra que a pesquisa de rua aponta justamente uma maior intenção de não comprar, por parte dos consumidores, justamente porque ela é feita em cima da avaliação de produtos duráveis, que são os mais caros. "Todas as pesquisas indicam que os consumidores de menor renda estão preocupados apenas em comprar alimentos e, mesmo assim, reduziram bastante as compras em supermercados."

Eduardo Amorim, diretor da e-bit (www.ebit.com.br), empresa que realizou a pesquisa sobre o e-commerce junto com o Provar, concorda que o poder aquisitivo faz a diferença. Afinal, segundo ele, o consumidor virtual tem uma renda média de R$ 3,9 mil mensais. "Este é o fator determinante para o aumento das compras virtuais e, hoje, já existe 1,5 milhão de compradores".

Acrescenta que os resultados já eram esperados, porque já se sabe previamente, que o simples fato de o consumidor ter um computador em casa faz uma diferença para ele na hora de comprar. "Ele pode pesquisar preços e fazer as suas opções de compras com muito maior tranquilidade."

Diz que, em função da renda do internauta, o mercado das lojas virtuais tem apresentado um crescimento de cerca de 10% ao ano e, "só no primeiro trimestre deste ano, as vendas aumentaram 50%." Esclarece que os itens mais comprados continuam os mesmos, como CDs, livros, " mas recentemente outros tipos de produtos também começam a ser vendidos, como geladeiras e eletroeletrônicos."

Apesar de a pesquisa de intenção de consumo existir desde 1999, esta é a primeira vez que é divulgada junto com as intenções de compra na internet, para a qual foram entrevistadas 1,5 mil pessoas.

O coordenador do Provar diz que o resultado da pesquisa de rua "é o pior em três anos". Entre os principais grupos que têm alguma intenção de ir às compras, 6,2% vão adquirir eletroeletrônicos, 5,5% linha branca, 3,7% móveis e 2,7% material de construção. Nas lojas virtuais, a procura recairá principalmente sobre o item livros, CDs e DVDs (81,1%), seguido por eletroeletrônicos (33,8%), produtos de informática (26,5%), produtos para casa (23,4%), linha branca (12,9%), e automóveis (6,4%).

Ainda de acordo com a pesquisa Provar/e-bit, o Submarino mostrou-se como a marca mais conhecida da internet. Foi o site mais lembrado pelos internautas em todas as linhas de produtos pesquisadas em que atua, seguido da Americanas. com .

 
CELIA MOREIRA
 
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