Home
 
bitNotícias >
 
Internauta brasileiro busca serviços mais sofisticados
Valor Econômico
29/07/2002
 
Pesquisa - Usuário está disposto a gastar mais, mas exige promoções
 

Cada vez mais acostumado ao uso da Internet, o brasileiro começa a buscar serviços mais sofisticados - tanto no acesso à rede, quanto nos produtos disponíveis para comércio eletrônico - e está disposto a pagar mais por isso. Essa vontade, no entanto, tem um limite: o preço.

Um estudo feito pela e-bit (www.ebit.com.br), empresa especializada em pesquisas sobre a web, mostra que o internauta não está satisfeito com o acesso discado, via telefone. Ele quer conexões mais rápidas, como as oferecidas pelas linhas digitais do tipo ADSL ou via cabo. São serviços que hoje custam, em média, mais de R$ 100 mensais, sem contar os custos de instalação. Mas, o usuário não está disposto a pagar tanto.

Segundo a pesquisa, 71% dos internautas - que hoje pagam cerca de R$30 mensais pelo acesso discado - pretendem desembolsar no máximo R$50 pelo serviço de banda larga. Cerca de 19% deles aceitam R$70 e apenas 1% pode gastar mais de R$100. "A demanda existe, mas o preço continua sendo o maior problema para a expansão da banda larga no país", diz Pedro Guasti, diretor comercial da e-bit.

Na hora de comprar pela Internet, o consumidor - que na maioria das vezes compra por impulso - também começa a buscar itens mais caros. Vedete desde o Natal, o DVD lidera como objeto de cobiça dos internautas: 47% dos entrevistados pretendem adquirir o aparelho nos próximos seis meses. Outras prioridades para o mesmo período são as câmeras digitais, desejadas por 41% dos usuários e as TVs de tela plana, com 37%.

A crescente venda de DVDs foi responsável pelo aumento do bilhete médio - valor gasto pelo internauta em cada compra. "Em 2001, o bilhete era de R$ 185 e hoje está em R$ 230", diz Guasti.

Mas os gastos maiores estão associados diretamente às facilidades oferecidas pelas lojas online. Parcelar é preciso: 36% dos consultados acham que o ideal é dividir as compras em pelo menos dez vezes sem juros no cartão. "Esse consumidor vê o parcelamento como um diferencial em relação às lojas físicas", diz Guasti.

Uma das explicações para a procura por promoções desse tipo, segundo o executivo, é a queda na renda familiar do internauta. Um estudo feito em junho de 2001, apontou que 29% dos internautas tinha renda mensal entre R$3.001 e R$5.000, 26% entre R$1.000 e R$3.000 e 20% acima de R$8.000. Este ano, 40% dos consultados declararam renda entre R$1.000 e R$3.000, 27% entre R$3.001 e R$5.000 e 10% acima de R$8.000.

Apesar da diferença, quando leva-se em conta que 57,1% da população economicamente ativa do país ganha até R$600 por mês, é fácil constatar que a internet continua longe de ser popular.
É um privilégio para poucos.

Para o varejista online, o desafio é duplo. Além de estimular os projetos de inclusão digital - que visam dar acesso à computadores para população de baixa renda -, as empresas precisam seduzir quem já é internauta. Segundo dados do instituto Ibope eRatings, o Brasil tem 14 milhões de internautas. Destes, apenas 10% fazem compras no mundo virtual, informa Guasti.

Para conquistar os usuários, no entanto, não bastam promoções. Apesar das sucessivas campanhas de esclarecimento feita pelas empresas, a insegurança continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão do comércio eletrônico, diz o executivo. "Mas, quando o consumidor vence essa barreira e faz a primeira compra, ele volta a adquirir produtos pela web."

A pesquisa da e-bit, realizada periodicamente, foi feita utilizando um banco de dados com 20.141 internautas.

 
ROSI RICO
 
VOLTAR
© 2000-8. Todos os direitos reservados.