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Cada vez mais
acostumado ao uso da Internet, o brasileiro começa a buscar
serviços mais sofisticados - tanto no acesso à rede,
quanto nos produtos disponíveis para comércio eletrônico
- e está disposto a pagar mais por isso. Essa vontade, no
entanto, tem um limite: o preço.
Um estudo feito pela e-bit (www.ebit.com.br), empresa especializada
em pesquisas sobre a web, mostra que o internauta não está
satisfeito com o acesso discado, via telefone. Ele quer conexões
mais rápidas, como as oferecidas pelas linhas digitais do
tipo ADSL ou via cabo. São serviços que hoje custam,
em média, mais de R$ 100 mensais, sem contar os custos de
instalação. Mas, o usuário não está
disposto a pagar tanto.
Segundo a pesquisa, 71% dos internautas - que hoje pagam cerca de
R$30 mensais pelo acesso discado - pretendem desembolsar no máximo
R$50 pelo serviço de banda larga. Cerca de 19% deles aceitam
R$70 e apenas 1% pode gastar mais de R$100. "A demanda existe,
mas o preço continua sendo o maior problema para a expansão
da banda larga no país", diz Pedro Guasti, diretor comercial
da e-bit.
Na hora de comprar pela Internet, o consumidor - que na maioria
das vezes compra por impulso - também começa a buscar
itens mais caros. Vedete desde o Natal, o DVD lidera como objeto
de cobiça dos internautas: 47% dos entrevistados pretendem
adquirir o aparelho nos próximos seis meses. Outras prioridades
para o mesmo período são as câmeras digitais,
desejadas por 41% dos usuários e as TVs de tela plana, com
37%.
A crescente venda de DVDs foi responsável pelo aumento do
bilhete médio - valor gasto pelo internauta em cada compra.
"Em 2001, o bilhete era de R$ 185 e hoje está em R$
230", diz Guasti.
Mas os gastos maiores estão associados diretamente às
facilidades oferecidas pelas lojas online. Parcelar é preciso:
36% dos consultados acham que o ideal é dividir as compras
em pelo menos dez vezes sem juros no cartão. "Esse consumidor
vê o parcelamento como um diferencial em relação
às lojas físicas", diz Guasti.
Uma das explicações para a procura por promoções
desse tipo, segundo o executivo, é a queda na renda familiar
do internauta. Um estudo feito em junho de 2001, apontou que 29%
dos internautas tinha renda mensal entre R$3.001 e R$5.000, 26%
entre R$1.000 e R$3.000 e 20% acima de R$8.000. Este ano, 40% dos
consultados declararam renda entre R$1.000 e R$3.000, 27% entre
R$3.001 e R$5.000 e 10% acima de R$8.000.
Apesar da diferença, quando leva-se em conta que 57,1% da
população economicamente ativa do país ganha
até R$600 por mês, é fácil constatar
que a internet continua longe de ser popular.
É um privilégio para poucos.
Para o varejista online, o desafio é duplo. Além de
estimular os projetos de inclusão digital - que visam dar
acesso à computadores para população de baixa
renda -, as empresas precisam seduzir quem já é internauta.
Segundo dados do instituto Ibope eRatings, o Brasil tem 14 milhões
de internautas. Destes, apenas 10% fazem compras no mundo virtual,
informa Guasti.
Para conquistar os usuários, no entanto, não bastam
promoções. Apesar das sucessivas campanhas de esclarecimento
feita pelas empresas, a insegurança continua sendo um dos
principais obstáculos para a expansão do comércio
eletrônico, diz o executivo. "Mas, quando o consumidor
vence essa barreira e faz a primeira compra, ele volta a adquirir
produtos pela web."
A pesquisa da e-bit, realizada periodicamente, foi feita
utilizando um banco de dados com 20.141 internautas.
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