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O mito de que
as mulheres gastam mais do que os homens não é verdadeiro.
Pelo menos na Internet. Um estudo do instituto e-bit (www.ebit.com.br)
mostra que o público masculino é responsável
por 60% das transações em lojas virtuais. Os homens
também gastam 30% mais do que o público feminino por
compra. A principal causa dessa diferença, segundo especialistas,
é a maior afinidade dos homens com alguns dos produtos mais
vendidos na Rede - CDs, software, hardware e eletroeletrônicos.
"Os produtos
mais vendidos na Web, além de agradarem mais ao público
masculino, custam mais caro, elevando o tíquete médio
das compras feitas por homens. Mulheres procuram outro tipo de produto,
normalmente com valor um pouco menor", observa Eduardo Mato
Amorim, diretor de tecnologia do e-bit.
No Submarino,
segundo o vice-presidente Peter Furukawa, 65% das compras do site
são feitas por homens. O tíquete médio do público
masculino também é bem mais alto do que o feminino.
"Os homens compram muitos artigos de informática e aparelhos
de DVD. São produtos caros, por isso, o valor médio
das compras é muito maior", explica.
De acordo com
Furukawa, a praticidade e a objetividade da Internet são
mais valorizados pelos homens, enquanto que as mulheres preferem
um passeio no shopping. "Os homens são mais objetivos.
Por isso, sentem-se mais atraídos pela compra virtual. As
mulheres gostam de ver, tocar, experimentar o produto, mesmo que
já o conheça", ressalta.
A impulsividade
feminina e o fato de o homem ser um bom administrador de finanças
são apontados por Marcelo Lobianco, diretor de marketing
do Shoptime, como principais causas da supremacia dos homens no
comércio eletrônico. "O homem tem uma postura
mais racional: decide o que vai comprar, estabelece uma meta e espera
o melhor momento. A mulher é mais impulsiva e, normalmente,
compras por impulsividade têm valor mais baixo", compara.
A vantagem dos homens no Shoptime, no entanto, é pequena:
55% contra 45%.
Tendência
de inversão
Alexandre Magalhães,
analista do Ibope eRatings, acredita que o homem gaste mais por
estar mais habituado a realizar transações online
e por ter maior presença na Rede. Na última pesquisa
do instituto, relativa ao mês de junho, o público masculino
representava 57% dos internautas do País.
No site da Saraiva,
as consumidoras estão alcançando os homens, mas eles
ainda são maioria. Segundo Ledo Camargo, diretor geral da
Saraiva, o público masculino representa 52% dos compradores.
"A tendência é que esse quadro se inverta. No
início, a diferença era bem maior", comenta.
O tíquete
médio na Saraiva.com já é igual entre homens
e mulheres. O executivo explica que a compra de livros didáticos
aumenta o valor das compras femininas. "Temos um grande foco
em livros escolares e, normalmente, quem compra esse tipo de produto
é a mãe. Por isso, o tíquete médio é
igual para homens e mulheres", diz.
Mesmo no caso
de produtos mais específicos, como flores, a diferença
vem diminuindo. No site Flores Online, 45% das compras são
feitas por mulheres, e o tíquete médio é praticamente
igual. "A mulher tem mais experiência em comprar no mundo
real e gosta dessa experiência. Por isso, resiste mais a fazer
compras pela Internet", ressalta Eduardo Casarine, diretor
do site.
O cenário passa por mudanças, mas a Internet ainda
é um meio dominado pelos homens. Alexandre Magalhães
acredita que o crescimento da rede a torne menos tecnológica
e mais comercial - aumentando a penetração feminina.
"Nos EUA, os homens foram maioria durante muitos anos. Hoje,
as mulheres navegam mais e já compram mais também.
Acredito que o Brasil deve acompanhar essa evolução",
comenta.
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