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Homens gastam mais no comércio online
Jornal do Commercio
23/07/2002
 
Tíquete médio masculino é 30% maior
 

O mito de que as mulheres gastam mais do que os homens não é verdadeiro. Pelo menos na Internet. Um estudo do instituto e-bit (www.ebit.com.br) mostra que o público masculino é responsável por 60% das transações em lojas virtuais. Os homens também gastam 30% mais do que o público feminino por compra. A principal causa dessa diferença, segundo especialistas, é a maior afinidade dos homens com alguns dos produtos mais vendidos na Rede - CDs, software, hardware e eletroeletrônicos.

"Os produtos mais vendidos na Web, além de agradarem mais ao público masculino, custam mais caro, elevando o tíquete médio das compras feitas por homens. Mulheres procuram outro tipo de produto, normalmente com valor um pouco menor", observa Eduardo Mato Amorim, diretor de tecnologia do e-bit.

No Submarino, segundo o vice-presidente Peter Furukawa, 65% das compras do site são feitas por homens. O tíquete médio do público masculino também é bem mais alto do que o feminino. "Os homens compram muitos artigos de informática e aparelhos de DVD. São produtos caros, por isso, o valor médio das compras é muito maior", explica.

De acordo com Furukawa, a praticidade e a objetividade da Internet são mais valorizados pelos homens, enquanto que as mulheres preferem um passeio no shopping. "Os homens são mais objetivos. Por isso, sentem-se mais atraídos pela compra virtual. As mulheres gostam de ver, tocar, experimentar o produto, mesmo que já o conheça", ressalta.

A impulsividade feminina e o fato de o homem ser um bom administrador de finanças são apontados por Marcelo Lobianco, diretor de marketing do Shoptime, como principais causas da supremacia dos homens no comércio eletrônico. "O homem tem uma postura mais racional: decide o que vai comprar, estabelece uma meta e espera o melhor momento. A mulher é mais impulsiva e, normalmente, compras por impulsividade têm valor mais baixo", compara. A vantagem dos homens no Shoptime, no entanto, é pequena: 55% contra 45%.

Tendência de inversão

Alexandre Magalhães, analista do Ibope eRatings, acredita que o homem gaste mais por estar mais habituado a realizar transações online e por ter maior presença na Rede. Na última pesquisa do instituto, relativa ao mês de junho, o público masculino representava 57% dos internautas do País.

No site da Saraiva, as consumidoras estão alcançando os homens, mas eles ainda são maioria. Segundo Ledo Camargo, diretor geral da Saraiva, o público masculino representa 52% dos compradores. "A tendência é que esse quadro se inverta. No início, a diferença era bem maior", comenta.

O tíquete médio na Saraiva.com já é igual entre homens e mulheres. O executivo explica que a compra de livros didáticos aumenta o valor das compras femininas. "Temos um grande foco em livros escolares e, normalmente, quem compra esse tipo de produto é a mãe. Por isso, o tíquete médio é igual para homens e mulheres", diz.

Mesmo no caso de produtos mais específicos, como flores, a diferença vem diminuindo. No site Flores Online, 45% das compras são feitas por mulheres, e o tíquete médio é praticamente igual. "A mulher tem mais experiência em comprar no mundo real e gosta dessa experiência. Por isso, resiste mais a fazer compras pela Internet", ressalta Eduardo Casarine, diretor do site.
O cenário passa por mudanças, mas a Internet ainda é um meio dominado pelos homens. Alexandre Magalhães acredita que o crescimento da rede a torne menos tecnológica e mais comercial - aumentando a penetração feminina. "Nos EUA, os homens foram maioria durante muitos anos. Hoje, as mulheres navegam mais e já compram mais também. Acredito que o Brasil deve acompanhar essa evolução", comenta.

ADRIANA DINIZ
 
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