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A publicidade
online brasileira, que nunca causou entusiasmo no mercado, parece
finalmente merecer mais atenção dos anunciantes. A
Associação de Mídia Interativa (AMI) prevê
um faturamento de R$ 292 milhões em 2002, com crescimento
em relação ao ano passado de 30%, taxa bastante superior
aos 11% esperados nos EUA.
O montante movimentado
no Brasil ainda é insignificante diante dos mais de US$7
bilhões anuais do mercado americano, mas ganha importância
em um momento de estagnação para mídias tradicionais,
como revista e televisão. "A propaganda tradicional
vive um momento de crise e a Internet traz novidades", afirma
Antônio Rosa, presidente da AMI.
O impulso definitivo
depende principalmente da entrada de companhias tradicionais na
publicidade online. A missão das empresas de Internet é
mostrar o potencial do meio de fazer mais do que simplesmente fortalecer
uma marca. "Pela primeira vez, a empresa pode se relacionar
diretamente com o consumidor. Em vez de construir uma marca, a Internet
representa interatividade e vendas diretas", observa Antônio
Rosa.
O movimento
é lento, mas já inclui avanços importantes,
como mostra um recente relatório do Ibope eRatings. Mesmo
sem ameaçar o domínio das ponto-com, gigantes como
Telefônica, Brasil Telecom, General Motors e Itaú subiram
consideravelmente no ranking dos principais anunciantes da Internet.
"É
importante notar que muitos setores que não utilizavam a
Web como canal publicitário no ano passado passaram a utilizar
este ano", destaca Alexandre Magalhães, analista do
Ibope eRatings. Empresas de turismo, alimentos e bebidas são
algumas que resolveram apostar na Web em 2002.
Mudança
de perfil
Negócios
fechados recentemente por grandes portais confirmam a tendência.
"O perfil dos anunciantes está mudando", garante
Frederico Monteiro, diretor de marketing da Globo.com, que desenvolve
iniciativas para clientes como Coca-Cola, Banco do Brasil, Sul América,
Volkswagen e Fiat.
As montadoras
de automóveis devem representar um dos principais segmentos
nessa mudança de perfil dos anunciantes online.
"Essas
empresas descobriram um canal direto com o consumidor para compra
e venda de carros", explica Antônio Rosa.
A Ford, por
exemplo, acertou uma parceria com o iG para o lançamento
do novo Fiesta. O contrato, válido até dezembro, prevê
a
utilização do provedor gratuito como meio de propaganda
e canal para ações concretas. Uma das iniciativas
é convidar usuários do iG - que tem 8 milhões
de contas de e-mail registradas - para realizar test-drives nas
concessionárias.
"Houve
uma mudança de perfil dos anunciantes. Em 2001, a Internet
era muito fechada e os anúncios se restringiam aos setores
financeiro e de varejo. Conseguimos este ano anunciantes importantes
de outros setores como o McDonald's", conta Maurício
Palermo, diretor comercial do iG, assegurando que 50 novos anunciantes
procuram o iG por mês.
Além
da entrada de empresas tradicionais na mídia online, sites
e portais também se beneficiam de eventos importantes, como
a Copa do Mundo, e programas populares, como o "Big Brother"
e a "Casa dos Artistas", para vender mais anúncios.
"A quantidade
de anúncios vendidos a partir de março deste ano deixou
o portal dentro da meta que havíamos previsto para ganhos
com publicidade", revela Caio Túlio Costa, presidente
do UOL, lembrando que em 2001 a empresa ficou abaixo da meta. O
provedor garantiu cotas de até R$ 15 mil para a transmissão
online da segunda edição do reality show do SBT.
Depois de perder
a "Casa dos Artistas" para a America Online, o UOL resolveu
apostar pesado na Copa do Mundo, que teve todas as cotas de patrocínio
vendidas. "Com certeza esses eventos ajudaram e foram responsáveis
em boa parte pela recuperação", afirma Caio Túlio
Costa.
A Globo.com
também comemora os resultados das duas edições
do programa "Big Brother". "Esperamos dobrar o faturamento
com publicidade online até o final do ano", diz Frederico
Monteiro. Metade dos anúncios do portal é proveniente
de acordos de cross media - estratégia de divulgação
que inclui ações em jornais, revistas e televisão.
Domínio
ponto-com
Apesar
da presença crescente das empresas tradicionais, no entanto,
as ponto-com e as companhias do setor de informática deverão
dominar a publicidade online por muito tempo. Há duas razões
principais para isso: a afinidade com o usuário típico
da Internet e a sobrevivência do antigo hábito da permuta.
O site de turismo
Decolar.com assinou recentemente um contrato de permuta com o Submarino.
"É interessante aproveitarmos o tráfego de internautas
dentro desses portais de comércio eletrônico para oferecer
promoções através de links para nosso site",
explica Andreia Lima, diretora de marketing do Decolar.com.
Mas, mesmo entre
as empresas de Internet, os montantes pagos - de fato - por anúncios
têm aumentado. O provedor gratuito iBest, por exemplo, obtém
cerca de um terço da sua receita com publicidade online.
"A recuperação
do setor de varejo virtual foi importante para sustentar o otimismo
com relação ao setor de publicidade online para este
ano", comenta André Izay, vice-presidente de marketing
e vendas do iBest, que tem anunciantes como Americanas.com, Central
de Desejos e Via Global.
Varejistas preferem e-mail marketing
Os anúncios podem ser a principal forma de publicidade online,
mas no caso das lojas virtuais a ferramenta mais eficaz para atrair
o consumidor atende por outro nome: e-mail marketing. O envio de
ofertas por correio eletrônico é considerado o meio
mais barato e eficiente de alavancar vendas em sites. "Esse
tipo de publicidade é considerado o carro-chefe de toda campanha",
resume Marcelo Almeida, diretor da agência de publicidade
Orango.
Um dos segredos
do sucesso desse tipo de campanha é a personalização,
ou seja, a possibilidade de enviar ofertas diferentes de acordo
com o perfil do cliente. "Essa personalização
significa uma forma mais inteligente de chegar até o consumidor",
comenta Rebeca Ferreira, gerente de pesquisa do e-bit (www.ebit.com.br).
Campanhas. A Central.com, empresa da holding InVent, utiliza
dados do site Central de Desejos e realiza campanhas de e-mail marketing
com os cerca de 1,3 milhões de usuários cadastrados
na agenda eletrônica Elefante. Americanas.com, Saraiva e Natura
são alguns dos clientes do serviço.
"É
uma maneira inteligente de usar o banco de dados porque os varejistas
não estão comprando apenas um e-mail para mandar promoção.
Eles estão tomando conhecimento do que aquele internauta
está querendo comprar no momento", explica Fred Trigueiro,
presidente da Central.com.
Um internauta
que tenha informado ao site Central de Desejos que gostaria de ganhar
um aparelho de DVD, por exemplo, pode receber um e-mail da Americanas.com
oferecendo facilidades de pagamento e outras vantagens para adquirir
o produto. "Cerca de 8% desses e-mails acabam se convertendo
em vendas", garante Trigueiro.
Outro ponto
positivo das campanhas de e-mail marketing é o nível
de atenção do leitor. "O e-mail é mais
pessoal e tem mais chance de prender a atenção do
consumidor. Quando colocamos um banner na página sabemos
que a atenção do internauta vai ser dividida com outros
atrativos, como o próprio conteúdo do site",
observa Trigueiro.
Celular. Diante do sucesso das campanhas personalizadas,
as agências de publicidade começaram a prestar mais
atenção ao marketing via celular, com a utilização
dos serviços de mensagens curtas (SMS) para fazer propaganda.
Essa ferramenta, ainda incipiente no Brasil, tem a característica
singular de relacionar o gosto do consumidor com o local onde ele
se encontra em determinado momento.
"Uma pessoa
que costuma freqüentar restaurantes fast-food pode receber
uma promoção na hora em que estiver nas proximidades
do McDonald's, por exemplo. A mensagem ainda indicaria qual a filial
mais próxima para agilizar a compra", afirma Rebeca
Ferreira.
Um estudo divulgado
em janeiro pela Forrester Research concluiu que o retorno da propaganda
via SMS é cinco vezes maior do que o do marketing direto.
Segundo o instituto de pesquisa, cada campanha realizada via SMS
custa em torno de US$ 20,6 mil, com taxa de retorno de 11%. A pesquisa
foi realizada em parceria com a Federação Européia
de Marketing Direto (FEDMA).
O único
cuidado que as empresas devem tomar ao utilizarem essas novidades
tecnológicas é saber se os usuários querem
realmente receber as mensagens. "O e-mail marketing e as propagandas
via SMS devem ser feitas apenas sob permissão. Caso contrário,
podem acabar afetando a marca de forma negativa", ressalta
Rebeca.
Conflito entre novos formatos e acesso discado
Os publicitários não economizam criatividade e tecnologia
na criação de novos formatos de banners. Vale quase
tudo para convencer as empresas a anunciar na Internet. Há
inclusive banners que tentam reproduzir a experiência televisiva
exibindo comerciais de até 30 segundos.
Apesar das tentativas
das agências, no entanto, essas novidades ainda não
conseguiram na Internet brasileira a aceitação obtida
em outros países. Nos EUA, por exemplo, anúncios que
ocupam grandes espaços na página e banners do tipo
"arranha-céu" já são comuns em sites
como Salon e New York Times.
Para os profissionais
de Internet e publicidade, a popularização desses
modelos no País depende do amadurecimento do mercado, mas
é apenas uma questão de tempo. "Algumas novidades
já estão começando a aparecer", observa
Antônio Rosa.
Uma das principais
tendências para o mercado publicitário brasileiro,
segundo o presidente da AMI, é o formato arranha-céu.
O amadurecimento
do mercado exige, em primeiro lugar, uma ampliação
do número de usuários de banda larga no Brasil. No
cenário atual, os anúncios em vídeo e banners
com animações em Flash deixam o carregamento das páginas
lento, dificultando a navegação dos internautas.
Os obstáculos
fazem portais importantes olharem com cautela a adoção
dos novos tipos de anúncio. "Não podemos deixar
de levar em consideração a capacidade criativa da
Internet, mas procuramos estudar bem a possibilidade de esses novos
formatos atrapalharem a navegação dos usuários",
afirma Caio Túlio Costa, presidente do UOL.
As próprias
agências de publicidade, apesar de sempre ressaltarem o potencial
das novas tecnologias, preocupam-se com a barreira da velocidade.
Hoje, os criadores dão preferência a recursos que deixem
os comerciais mais leves e mais fáceis de serem visualizados,
principalmente pelos internautas com as tradicionais conexões
discada de 56 kbps.
A AgênciaClick,
por exemplo, oferece aos clientes diferentes tipos de banner e utiliza
uma tecnologia para evitar que o carregamento da página atrapalhe
a navegação do usuário. "O banner só
carrega o conteúdo quando a pessoa não está
fazendo download", explica Pereira Júnior, vice-presidente
de criação da agência. A exibição
de um comercial em vídeo, de aproximadamente 30 segundos,
envolve a transferência de um arquivo de aproximadamente 300
Kb.
Marcelo Almeida,
diretor da agência de publicidade Orango, que já desenvolveu
campanhas para TIM, Shell e Eletronuclear, também considera
possível exibir comerciais em formatos mais sofisticados
sem criar inconvenientes ao usuário. Ele aposta que a receptividade
aos novos anúncios deve aumentar em pouco tempo no País.
"Criatividade
não falta dentro das agências. E procuramos sempre
fazer novidades respeitando os limites de tamanho determinados pelos
portais", explica Almeida.
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