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Manter a atenção
do visitante, para um site, pode ser mais difícil do que
atraí-la. A regra básica é garantir sempre
a tranqüilidade da navegação. Páginas
rápidas, ausência de procedimentos burocráticos
e, principalmente, moderação nos anúncios são
as principais recomendações para quem não quer
ver o usuário saindo depois de poucos segundos.
A empresa de marketing Burst Media fez um alerta ao divulgar um
estudo mostrando que 36% dos internautas americanos abandonam um
site se considerarem-no muito poluído por publicidade. A
pesquisa, que ouviu 3 mil pessoas, indicou também que 63%
dos usuários têm pouca tolerância a mais de dois
anúncios por página.
Mas a publicidade
exagerada é apenas um dos vários motivos que levam
o internauta a abandonar uma página. Outra grande fonte de
reclamações é a dificuldade na navegação
devido ao excesso de imagens ou de recursos gráficos. Mesmo
com a preocupação crescente diante da lentidão
da Internet, muitas empresas ainda ignoram a questão, empregando
efeitos que tornam a visita do usuário um sofrimento. Os
sites mais elaborados apresentam duas versões, uma em Flash
e outra em HTML puro, cuidado que evita a irritação
de internautas com conexões comuns.
Como ninguém
gosta de perder tempo, outro bom motivo para se abandonar um site
é a dificuldade para se encontrar uma seção
ou informação. "Uma das características
que irritam os internautas é a falta de um mecanismo de busca
avançada para encontrar as informações dentro
da página", observa Fabiana Yazbek, diretora de produto
e usabilidade do e-bit (www.ebit.com.br).
Fabiana coordena
um trabalho de reformulação de sites com características
pouco atraentes para os internautas. O principal desafio é
inovar na criação sem deixar de perceber o que pode
atrapalhar. O excesso de recursos de utilidade duvidosa é
outro problema. "Tudo que complica é motivo para abandonar
o site", diz.
Pensando em
reter os internautas, os grandes portais estabeleceram regras rígidas
para evitar o excesso de anúncios e tornar os sites mais
amigáveis. No UOL, há um limite de um pop-up por semana,
e os banners não passam de 10 Kb. "Também conversamos
periodicamente com os parceiros que têm sites hospedados para
evitarem páginas muito pesadas, que dificultem a navegação",
afirma o diretor geral Caio Túlio Costa.
Há razão
para tanta preocupação. O estudante Bruno Areal já
desistiu várias vezes de permanecer em uma página
por causa de pop-ups que pulam na frente da tela e tornam a navegação
mais lenta. "Sempre que essas janelas aparecem, tento fechar.
Como meu computador não é muito rápido, acaba
travando", reclama.
O portal iBest
resolveu repensar sua política de anúncios ao perceber
que excessos poderiam afastar os usuários. "Realmente
tínhamos muitos pop-ups. Mas encontramos formas diferentes
de fazer propaganda sem desagradar os internautas", conta o
diretor de conteúdo Alexandre Barreto.
PUBLICIDADE
ALIADA AO CONTEÚDO DO PORTAL
O portal também
passou a investir em publicidade aliada ao conteúdo do site.
A última campanha foi feita para a Brasil Telecom, controladora
da empresa, e envolveu a criação de um guia com dicas.
"Foi metade conteúdo e metade patrocínio. O resultado
ficou mais atrativo e mais rentável", observa Barreto.
Além de criar novas formas de explorar a publicidade, o iBest
investiu em uma tecnologia para evitar que os pop-ups apareçam
toda vez que o internauta atualiza a página. "Temos
conhecimento que isso atrapalha o usuário e tomamos o cuidado
de não colocar mais de um por seção",
conta Barreto.
A preocupação
de agradar aos internautas quase sempre entra em conflito com a
necessidade das empresas de gerar receita. O problema se complica
quando o site resolve fechar o conteúdo. Mesmo que permaneça
gratuito, a necessidade de se preencher um cadastro, informar o
número do CPF ou criar uma senha de acesso é motivo
suficiente para o internauta procurar outra página.
Esse dilema
afetou em cheio o portal de música Usina do Som, que decidiu,
no final do ano passado, fechar o conteúdo e exigir cadastramento
dos ouvintes. "Apesar de termos mantido o serviço gratuito,
ficamos receosos pelo fato de os concorrentes terem o conteúdo
totalmente aberto", lembra o gerente de produto Beni Goldenberg.
Antes de ser
reformulado, o site exigia cadastramento apenas em situações
especiais, como promoções. Agora, o internauta precisa
preencher um cadastro e criar uma rádio, para ter acesso
às músicas completas.
A decisão
de exigir um cadastro é geralmente fruto da necessidade de
se apresentar o número exato de visitantes aos anunciantes.
"Resolvemos correr o risco porque precisávamos de usuários
com um nível de relacionamento maior", explica Goldenberg,
ressaltando que não faz parte dos planos da empresa cobrar
pelo conteúdo.
O site Webventure
também pretende permanecer gratuito, mas tem um projeto para
exigir o cadastramento dos usuários. "Vivemos esse dilema
de agradar o anunciante sem atrapalhar o usuário. Sabemos
que ninguém gosta de preencher fichas, mas temos que ter
um banco de dados com os usuários", afirma o diretor
André Chaco.
Apesar da projeção
de que perderia inicialmente 30% dos visitantes, para o Usina do
Som, a mudança valeu a pena. Atualmente, o site tem 2,5 milhões
de usuários registrados, contra os 1,5 milhão de quando
o conteúdo foi fechado. "Esse aumento foi resultado
do lançamento de novos serviços, que atraíram
um novo público, diferente do que apenas navegava, sem comprometimento",
destaca Beni Goldenberg.
A dificuldade
de manter os usuários fica ainda mais evidente quando o conteúdo
fechado só pode ser acessado mediante pagamento. Ainda existe,
no Brasil, uma resistência grande com relação
aos serviços cobrados na Internet.
Para vencer
essa barreira, os portais têm de oferecer contrapartidas realmente
interessantes, capazes de convencer os usuários a tirar dinheiro
do bolso. A tendência, que já começa a se popularizar
nos EUA, é de que os sites comecem a cobrar por partes específicas
do conteúdo, como acontece no Yahoo!.
No Brasil, ainda
são consideradas ousadas iniciativas como a do site ObaOba,
que lançará uma versão paga ainda este mês,
chamada Festiva.com. No site, os internautas receberão boletos
com descontos para festas e boates, em troca de uma mensalidade
de R$20. "O segredo de cobrar e obter resposta dos usuários
é oferecer algo atrativo e que compense", diz Cristiano
Nóbrega, sócio do ObaOba.
Os visitantes
deixam o site
>> Excesso de publicidade
>> Informações confusas
>> Páginas pesadas
>> Conteúdo pago
>> Sistema de busca deficiente
>> Exigência de cadastramento
Os clientes
abandonam o carrinho
>> Alto custo do frete
>> Dúvidas sobre características de produtos
>> Dificuldade para saber preços
>> Impaciência para preencher cadastros
>> Arrependimento na hora de informar número do cartão
>> Navegação lenta
>> Ausência de informações sobre devolução
Carrinhos
de compra ficam pelo caminho
Todo site de
comércio eletrônico tem como um dos principais desafios
fazer o internauta concluir as compras iniciadas. Na Amazon.com,
uma das poucas lojas virtuais que divulgam taxas de abandono de
carrinho, cerca de 60% dos clientes interrompem as compras no meio
do processo.
Os motivos da
desistência são basicamente os mesmos em todos os sites.
Um dos mais comuns é o susto que os consumidores levam quando
tomam conhecimento do custo do frete. [..]
Outro problema
que contribui para as altas taxas de desistência é
a demora na visualização dos produtos devido à
quantidade exagerada de recursos gráficos ou ao tamanho das
fotos. A exigência de cadastros longos para a conclusão
da compra também é apontada como um dos motivos para
os internautas abandonarem os carrinhos.
FALTA DE
INFORMAÇÃO SOBRE DEVOLUÇÕES
A falta de informações
adequadas sobre as políticas e os procedimentos de devolução
também contribui para aumentar o número de desistências.
Muitos sites adotam práticas que acabam aumentando a insegurança
dos consumidores. O conselho dado por consultores de comércio
eletrônico é que as lojas online divulguem de forma
visível e-mails e telefones de contato. Se possível,
os sites devem investir na interação, com atendimento
via chat em tempo real.
Os sites também
devem tomar o cuidado de não distribuir as informações
mais relevantes por páginas diferentes. "O preço
deve estar sempre na mesma página. Não é nada
agradável ter que clicar novamente para saber sobre as características
do produto ou o valor", destaca Fabiana Yazbek, diretora de
produto e usabilidade do e-bit.
O Pão
de Açúcar resolveu traçar uma estratégia
para reduzir a quantidade de desistências. O supermercado
online passou a criar listas de produtos para o consumidor não
perder tempo procurando cada item. Além disso, oferece a
possibilidade de resgate das últimas compras feitas e de
repetição no mês seguinte, com poucos cliques.
"Conseguimos uma melhora de 70% com relação às
desistências", garante Jonas Ferreira, gerente de comércio
eletrônico do Grupo Pão de Açúcar, sem
mencionar números específicos.
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