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Usuários
pesquisam em lojas online, mas poucos compram
Quase metade dos internautas brasileiros visitam sites de comércio
eletrônico, mas os índices de compras propriamente
ditas são mais modestos. Segundo o Ibope eRatings, 43,4%
do total de 7,5 milhões de usuários freqüentam
lojas virtuais no País, um percentual superior ao registrado
na Grã-Bretanha. Um estudo recente do instituto e-bit
(www.ebit.com.br) indica, no entanto, que "apenas"
1,4 milhão de brasileiros já fizeram compras online.
O analista do
Ibope Alexandre Magalhães reconhece que as compras efetivas
ainda são poucas, mas ressalta o crescimento do alcance dos
sites de e-commerce, que era de 16% em setembro de 2000-4. "Os
sites estão aos poucos aprendendo a oferecer melhores serviços.
No Natal de 2000-4, que foi o primeiro online, problemas como atraso
na entrega e falta de informações sobre trocas de
mercadorias prejudicaram as vendas", lembra.
Para Pedro Guasti,
diretor comercial do e-bit, o comércio pela rede ainda
é pequeno. Um dos motivos, acredita, é o número
restrito de pessoas que têm acesso à rede. "O
perfil de quem compra pela Internet é de um público
de classes A e B. São pessoas privilegiadas. Para que os
negócios cresçam é necessário, em primeiro
lugar, ampliar os movimentos de inclusão digital. Algumas
iniciativas já estão sendo feitas, como a criação
de e-mails gratuitos e o fornecimento de computadores para escolas
públicas", explica.
A opinião
é compartilhada por João Paulo Siqueira, professor
do MBA em varejo da Universidade de São Paulo, que ressalta
que o comércio eletrônico no País passa por
um problema de "proposição de valor". "Todos
os sites de venda hoje são praticamente iguais em serviços,
com o mesmo preço e o mesmo prazo de entrega, e o consumidor
acaba não vendo a diferença. É preciso que
os sites destaquem os benefícios que os clientes terão
ao comprar", afirma, acrescentando que as lojas também
precisam baixar os preços.
Por isso, Alexandre
Magalhães defende a inclusão de formas variadas de
pagamento, para dar opções aos clientes. Outra medida
básica, diz ele, é a garantia de que as transações
sejam efetivadas em ambientes seguros.
Para Mauro Peres,
gerente de pesquisas do IDC, o medo de usar cartão de crédito
na rede ainda é um empecilho. Mas ele acredita que o receio
pode ser minimizado por meio de campanhas publicitárias.
"As compras pela Internet surgiram com o apelo de que os produtos
seriam mais baratos, o que só ocorreu no início",
ressalta.
A professora
Lia Cristina Lopes é uma das pessoas que entram em sites
de lojas virtuais apenas para pesquisar preços. "Com
a inclusão do valor do frete, o preço da mercadoria
sai quase igual ao do comércio local. Sem contar que você
vê o produto e coloca a mão nele. Roupa, por exemplo,
é impossível comprar pela rede, pois não dá
para ver o tamanho", explica.
O diretor-executivo
do Ponto Frio, Ike Zarmati, acredita que a diferença entre
o número de pessoas que entram no site e aquelas que compram,
apesar de grande, é compreensível. "Nem todas
as pessoas que entram em shopping centers compram. O mesmo acontece
nos negócios virtuais, em que as pessoas, antes de comprar,
verificam em vários sites o preço e as condições",
diz.
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