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Sites tentam aumentar índice de transações efetuadas
Jornal do Commercio
19/09/2002
 

Usuários pesquisam em lojas online, mas poucos compram

Quase metade dos internautas brasileiros visitam sites de comércio eletrônico, mas os índices de compras propriamente ditas são mais modestos. Segundo o Ibope eRatings, 43,4% do total de 7,5 milhões de usuários freqüentam lojas virtuais no País, um percentual superior ao registrado na Grã-Bretanha. Um estudo recente do instituto e-bit (www.ebit.com.br) indica, no entanto, que "apenas" 1,4 milhão de brasileiros já fizeram compras online.

O analista do Ibope Alexandre Magalhães reconhece que as compras efetivas ainda são poucas, mas ressalta o crescimento do alcance dos sites de e-commerce, que era de 16% em setembro de 2000-4. "Os sites estão aos poucos aprendendo a oferecer melhores serviços. No Natal de 2000-4, que foi o primeiro online, problemas como atraso na entrega e falta de informações sobre trocas de mercadorias prejudicaram as vendas", lembra.

Para Pedro Guasti, diretor comercial do e-bit, o comércio pela rede ainda é pequeno. Um dos motivos, acredita, é o número restrito de pessoas que têm acesso à rede. "O perfil de quem compra pela Internet é de um público de classes A e B. São pessoas privilegiadas. Para que os negócios cresçam é necessário, em primeiro lugar, ampliar os movimentos de inclusão digital. Algumas iniciativas já estão sendo feitas, como a criação de e-mails gratuitos e o fornecimento de computadores para escolas públicas", explica.

A opinião é compartilhada por João Paulo Siqueira, professor do MBA em varejo da Universidade de São Paulo, que ressalta que o comércio eletrônico no País passa por um problema de "proposição de valor". "Todos os sites de venda hoje são praticamente iguais em serviços, com o mesmo preço e o mesmo prazo de entrega, e o consumidor acaba não vendo a diferença. É preciso que os sites destaquem os benefícios que os clientes terão ao comprar", afirma, acrescentando que as lojas também precisam baixar os preços.

Por isso, Alexandre Magalhães defende a inclusão de formas variadas de pagamento, para dar opções aos clientes. Outra medida básica, diz ele, é a garantia de que as transações sejam efetivadas em ambientes seguros.

Para Mauro Peres, gerente de pesquisas do IDC, o medo de usar cartão de crédito na rede ainda é um empecilho. Mas ele acredita que o receio pode ser minimizado por meio de campanhas publicitárias. "As compras pela Internet surgiram com o apelo de que os produtos seriam mais baratos, o que só ocorreu no início", ressalta.

A professora Lia Cristina Lopes é uma das pessoas que entram em sites de lojas virtuais apenas para pesquisar preços. "Com a inclusão do valor do frete, o preço da mercadoria sai quase igual ao do comércio local. Sem contar que você vê o produto e coloca a mão nele. Roupa, por exemplo, é impossível comprar pela rede, pois não dá para ver o tamanho", explica.

O diretor-executivo do Ponto Frio, Ike Zarmati, acredita que a diferença entre o número de pessoas que entram no site e aquelas que compram, apesar de grande, é compreensível. "Nem todas as pessoas que entram em shopping centers compram. O mesmo acontece nos negócios virtuais, em que as pessoas, antes de comprar, verificam em vários sites o preço e as condições", diz.

 

GUSTAVO TEIXEIRA
 
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