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MSN baseia-se em antropologia para entender o internauta
AESetorial
29/10/2002
 

Por muito tempo, duas regras foram consideradas primordiais para a construção de um website: navegação fácil e pouquíssimo peso na hora de carregar a página. Hoje, os conceitos já foram absorvidos pela maior parte dos web designers e ganha espaço uma nova preocupação, com ares de ciência social: o comportamento do usuário na Internet como ponto de partida para o desenvolvimento de páginas e ferramentas Web. Tudo para acertar em cheio as preferências do internauta, manter público cativo e alavancar ainda mais audiência.

De olho nessa tendência, o MSN, portal de serviços da Microsoft, contratou uma equipe de antropólogos que tem por objetivo apurar junto aos internautas norte-americanos como eles se movem, ou melhor navegam, na rede. "Estamos dando um passo além nos estudos de Usabilidade", afirma o diretor-geral do MSN Brasil, Osvaldo Barbosa de Oliveira. Por Usabilidade entendem-se os estudos sobre os princípios que devem ser aplicados na construção de websites.

Personalização

Segundo Oliveira, a análise final dos antropólogos permitirá a construção de produtos padronizados – o que significa que poderão ser aplicados em todo o mundo – e personalizados. "Verificaremos como o usuário utiliza as diferentes ferramentas da Internet, como e-mail, e ofereceremos o produto que ele deseja", explica. Somente por aqui, o MSN registra mensalmente 10 milhões de usuários únicos.

De acordo com o diretor de marketing da e-bit (www.ebit.com.br), empresa online de marketing e pesquisa, Camilo Perez, um bom site parte do princípio "o internauta é quem manda". Para tanto, uma boa pesquisa sobre o comportamento do público-alvo cai bem antes de desenhar a página na Internet. "Também é preciso considerar que dez entre dez internautas preferem navegação rápida a imagens pesadas que reduzam a velocidade de navegação", alerta. Conhecer o público, acrescenta Perez, também beneficia o portal na hora de negociar espaços publicitários.

Preferências


Para atrair cada vez mais internautas, o MSN analisa cada clique do usuário durante a navegação no portal. "Assim, conseguimos levantar um banco de dados que determina quais são as preferências do usuário, qual o conteúdo que mais o atrai e de quais imagens ele mais gosta", afirma Oliveira. Um dos resultados práticos desse tipo de análise, segundo ele, foi o deslocamento da barra de canais do lado esquerdo para o direito da homepage. "Isso é resultado de pesquisa", garante.

Embora as pesquisas orientem quase todos os passos da equipe de design e conteúdo do MSN, o diretor-geral do portal no Brasil lembra que é necessário ter discernimento na hora de levar a cabo grandes mudanças de layout. "É preciso verificar se essas mudanças são realmente necessárias, porque o usuário tem de estar habituado ao layout para que a navegação seja mais fácil", alerta. O formato padrão do portal, segundo Oliveira, é definido pela matriz nos Estados Unidos.
O conteúdo cabe a cada subsidiária do MSN e é alterado diariamente. "A equipe brasileira de conteúdo analisa o que está na home e qual o assunto mais escolhido pelo cliente", diz Oliveira. "Isso também é muito importante como dado para elaboração de peças publicitárias, para que o nosso anunciante atinja seu público-alvo".

Mais dicas

Textos simples, imagens sofisticadas somente quando o assunto justifique tão grande uso de memória e contraste entre fonte e fundo de tela também estão na lista das virtudes de um website, segundo Camilo Perez. "Antes de sofisticar, é preciso saber: por que colocar o que se quer colocar na Internet? Assim, é possível concluir o quê agrega valor ao site e deve ir ao ar", aponta.

No caso de empresas que queiram utilizar o site como "cartão de visitas virtuais", o especialista faz algumas ressalvas. "Não adianta querer embutir a mensagem da empresa na Internet se o usuário não quiser saber qual é", garante Perez. "Sofisticar demais ou tratar o site como meio de comunicação da empresa (house organ) não dá certo", acrescenta.

 

STELLA FONTES
 
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