PAPAI NOEL VIRTUAL
Globo.com
26/12/2002
 

Nem a estagnação da economia, nem a alta do dólar nem a disparada da inflação atrapalharam o desempenho do comércio eletrônico tupiniquim, que deve encerrar o ano com faturamento superior a R$ 1 bilhão, 54% a mais que os R$ 650 milhões de 2001.

Boa parte desse resultado será devida ao Natal. A previsão do Instituto e-bit (www.ebit.com.br) é auspiciosa: as lojas virtuais devem faturar em dezembro R$ 150 milhões, 50% a mais que o obtido no mesmo período do ano passado. "Um aumento significativo, principalmente quando se leva em conta o desempenho da economia brasileira neste ano", comenta Pedro Guasti, diretor geral do e-bit.

Está certo que, apesar de excelentes, os resultados brasileiros não podem nem ser comparados aos conseguidos pelos varejistas eletrônicos dos Estados Unidos. Eles comemoram o recorde: na segunda semana de dezembro, o comércio eletrônico norte-americano faturou estratosféricos US$ 2,2 bilhões, 37% mais que no mesmo período de 2001.

Apesar das diferenças gritantes, os motivos que explicam o excepcional desempenho do setor são exatamente iguais aqui e lá: 1) a crescente confiança na internet; 2) o aumento no número dos internautas; e 3) o aumento no número dos varejistas online. Nos Estados Unidos, há um fator adicional: a popularidade dos vale-presentes adquiridos pela web.

Pelas bandas de cá, a confiança na internet pode ser traduzida em números. No ano passado, 49% dos entrevistados pelo e-bit pretendiam comprar presentes pela web. Número que pulou, agora, para 62%.

E, o que é ainda melhor, a maioria dos 1,9 mil internautas entrevistados neste ano está realmente disposta a gastar. A maior parte – 51% – pretende despender entre R$ 101 e R$ 500. Outros 18% vão deixar nas lojas entre R$ 501 e R$ 1.000 e 12%, mais de R$ 1.000. Os produtos mais procurados? CDs (96%), livros e revistas (91%), títulos em DVD/vídeo (91%), eletroeletrônicos (83%) e DVDs (78%).

Com o aumento da confiança, o número de consumidores online aumenta sem parar. O e-bit estima que a base de compradores do comércio virtual cresça 15% ao mês. "O total saltou de 800 mil clientes em 2001 para os atuais 1,5 milhão", revela Guasti. E como muita gente ainda pensa duas vezes antes de sacar o cartão de crédito para comprar alguma coisa pela web, a expectativa é que o crescimento em 2003 também bata em 50%. Existe melhor presente de Natal para os varejistas?

 

JOELMIR BETING
 
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