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Preocupação com segurança não inibe compras pela Net
Ag. Estado
31/10/2001
 

São Paulo - Apesar de preocupado e receoso com as questões relacionadas à insegurança dentro da Internet, o consumidor virtual brasileiro não deixa de realizar compras ou utilizar serviços da rede mundial de computadores em seu dia-a-dia. Essa foi a conclusão de sondagem sobre "Segurança e Privacidade na Internet", realizada pela empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers, em parceria com a e-bit (www.ebit.com.br), especializada em pesquisa, marketing e tecnologia online.

Realizado entre os dias 1º e 10 de outubro, o levantamento abrangeu um universo de 1.172 e-consumidores, considerados experientes em transações de compra pela Internet. "A grande faixa de pesquisados concentrou-se entre as pessoas de 25 a 50 anos, a maioria pertencente às classes A e B, que são, na verdade, a PEA (População Economicamente Ativa) da Internet", explica Luis Otavio Amaral, sócio-responsável por pesquisas da e-bit. Segundo números do Ibope, o potencial consumidor da web brasileira alcança hoje de 1 milhão a 2 milhões de pessoas, o equivalente a 15% do número total de internautas do País.

Pelas conclusões da pesquisa nacional, apresentada hoje em São Paulo, 89% dos entrevistados realizam atividades na Internet, ainda que isso possa colocar em risco a privacidade dos usuários. Detalhes sobre conta bancária e cartão de crédito largam na frente (com 68% e 61%, respectivamente) na lista de informações a que os e-consumidores têm maior resistência para fornecer. Registros médicos (46%), informações sobre relacionamentos que mantêm com outras pessoas (46%) e detalhes sobre comportamento sexual (54%) vêm em seguida, como itens de maior tabu dentro da rede.

De acordo com Amaral, a segurança na Internet espelha um paradoxo. "A questão da percepção e prática são muito distintas. Apesar de 90% das pessoas terem medo de realizar compras na Internet com cartão de crédito, 85% das transações são feitas através deste meio", diz. A pesquisa concluiu que os e-consumidores não confiam plenamente em nenhum dos tipos de regulamentação mencionados, como o código de defesa do consumidor (57% não se sentem nem muito nem pouco protegidos) e leis e proteção a dados (41%).

Quando perguntados a quem recorreriam ao se sentirem vítimas de invasão de privacidade, a maior parte dos entrevistados (61,7%) respondeu que procuraria os órgãos de defesa do consumidor, contra 60,2% que apelariam a um advogado. "O curioso é que o porcentual que iria atrás do provedor de acesso (57,1%) praticamente empata com os 54,5% que procurariam a própria empresa ou órgão responsável pelo problema. Isso é preocupante", declara o sócio de gerenciamento de risco tecnológico da PricewaterhouseCoopers, Edgar D´Andréa.

A sondagem descobriu ainda que os bancos são apontados, com 47%, como as instituições mais confiáveis na proteção da privacidade. Os principais fatores para determinar a confiabilidade de um site são a marca da empresa (74,3%) e os selos de certificação emitidos por terceiros (54,2%).

Ferramentas como criptografia, cadeado fechado e política de privacidade foram lembradas por apenas 4,7%. Apesar disso, o consumidor virtual diz que procura ser cuidadoso ao realizar compras: 69% garantem que lêem as cláusulas de privacidade dos sites e 62% dizem que já deixaram de fornecer dados pessoais após a leitura das cláusulas.

Segundo D´Andréa, apesar de o internauta não deixar de comprar pela Internet mesmo se o ambiente não for 100% seguro, as questões de segurança e privacidade continuarão sendo fatores importantes de diferenciação entre as companhias. "Não acredito que o volume de comércio eletrônico diminua. O que pode haver é uma migração das compras para os grandes 'players', que respeitam as políticas de privacidade", acredita o sócio da Price.

Apesar de não revelar os números do Brasil, ele diz que, no mundo todo, o faturamento da Price com segurança alcança US$ 350 milhões por ano. "Pesquisas dão conta de que o volume de gastos das empresas com segurança vai dobrar ou até triplicar até 2005", relata D´Andrea. Números da e-bit revelam que, das 1000 empresas brasileiras que oferecem serviço de compras pela Internet, apenas 22% possuem a política de privacidade estampada nos sites.

 
MARIANA CISCATO
 
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