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Olho vivo
O Globo
30/10/2001
 

Não pergunte mais o que a internet pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pela internet. É a esse ponto-paródia que estamos chegando, dada a paranóia crescente em relação à segurança e à privacidade na outrora gentil rede mundial. Já não se passa um dia sem receber alertas neuróticos sobre o fim da infância. Perdemos, enfim, a inocência, e cá estamos pagando o preço.

Alguns, literalmente. É o que está acontecendo com clientes de alguns provedores de acesso americanos que, de acordo com o USAToday.com, estão exigindo que os assinantes atualizem seus programas antivírus - implicando o custo médio de US$ 100. Em caso de desobediência, as empresas estão simplesmente suspendendo as contas dos distraídos usuários, desconectando-os de vez.

Um provedor do Kansas, Nautilus Commercial Data Systems, já mandou cerca de 1.500 assinantes para o espaço. O PghConnect e o Tames também seguiram esse caminho pouco gentil - mas razoavelmente lógico - de manter a segurança da rede.

O argumento é de fundo terrorista, ainda, pois a idéia de que os grupos radicais eletrônicos estão à espreita continua valendo, e cada vez com mais força.

O problema é que, pelo jeitão da coisa, a proteção de todos está se confundindo com invasão de privacidade, legalmente fundamentada, nos EUA e pelo resto do planeta digital.

Com isso, quem vai caindo é o comércio eletrônico. A propósito, a PricewaterhouseCoopers e o e-bit (www.ebit.com.br) divulgam amanhã, em São Paulo, uma pesquisa a respeito. E uma das conclusões é de que a maioria dos e-consumidores (61%) brasileiros considera uma grande ameaça à segurança geral da internet a possibilidade de empresas pontocom, a partir do rastreamento de compras na Web, elaborarem perfis e preferências dos compradores.

Isso mostra que a medição das empresas (via cookies, por exemplo) já está sendo considerada um perigo, mesmo que seu pretenso objetivo seja atender bem aos usuários.

 
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