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Não pergunte
mais o que a internet pode fazer por você. Pergunte o que você pode
fazer pela internet. É a esse ponto-paródia que estamos chegando,
dada a paranóia crescente em relação à segurança e à privacidade
na outrora gentil rede mundial. Já não se passa um dia sem receber
alertas neuróticos sobre o fim da infância. Perdemos, enfim, a inocência,
e cá estamos pagando o preço.
Alguns, literalmente.
É o que está acontecendo com clientes de alguns provedores de acesso
americanos que, de acordo com o USAToday.com, estão exigindo que
os assinantes atualizem seus programas antivírus - implicando o
custo médio de US$ 100. Em caso de desobediência, as empresas estão
simplesmente suspendendo as contas dos distraídos usuários, desconectando-os
de vez.
Um provedor
do Kansas, Nautilus Commercial Data Systems, já mandou cerca de
1.500 assinantes para o espaço. O PghConnect e o Tames também seguiram
esse caminho pouco gentil - mas razoavelmente lógico - de manter
a segurança da rede.
O argumento
é de fundo terrorista, ainda, pois a idéia de que os grupos radicais
eletrônicos estão à espreita continua valendo, e cada vez com mais
força.
O problema é
que, pelo jeitão da coisa, a proteção de todos está se confundindo
com invasão de privacidade, legalmente fundamentada, nos EUA e pelo
resto do planeta digital.
Com isso, quem
vai caindo é o comércio eletrônico. A propósito, a PricewaterhouseCoopers
e o e-bit (www.ebit.com.br) divulgam amanhã, em São Paulo,
uma pesquisa a respeito. E uma das conclusões é de que a maioria
dos e-consumidores (61%) brasileiros considera uma grande ameaça
à segurança geral da internet a possibilidade de empresas pontocom,
a partir do rastreamento de compras na Web, elaborarem perfis e
preferências dos compradores.
Isso mostra
que a medição das empresas (via cookies, por exemplo) já está sendo
considerada um perigo, mesmo que seu pretenso objetivo seja atender
bem aos usuários.
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