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Decidir o momento
certo para mudar o design e a estrutura de navegação de um site
é uma das decisões mais difíceis que os executivos de empresas ponto-com
têm de tomar. A intenção é sempre de agradar o visitante, mas alterações
muito radicais implicam uma série de riscos. É preciso ter bom senso
para não tornar a busca por informações e serviços um desafio.
A loja virtual
Submarino (www.submarino.com.br), por exemplo, mantinha o mesmo
visual há cerca de dois anos. No início deste mês, o site passou
por uma grande reformulação, que incluiu mudanças na apresentação
dos seus departamentos. "O site já sofria mudanças gradativas na
sua estrutura, ou seja, fazíamos pequenas modificações a fim de
otimizar os serviços. O objetivo de alterar a aparência de forma
brusca é mostrar aos usuários dos serviços da loja que somos capazes
de inovar", explica Luiz Telles, diretor de marketing e criação
do Submarino.
Pesquisas
O executivo
reconhece que os riscos são altos para quem decide promover uma
reforma desse tipo e aconselha a realização de pesquisas com os
usuários antes de se tomar qualquer decisão. No caso do Submarino,
cerca de mil questionários deram a certeza de que um novo formato
seria bem-recebido. "Os visitantes responderam que aprovavam mudanças.
Esse fator foi o pontapé inicial", diz Telles.
Segundo Cezar
Taurion, consultor da PricewaterhouseCoopers, as mudanças devem
ser feitas a partir do momento em que o site começa a receber avaliações
negativas dos clientes. Nesse caso, é preciso fazer alterações para
que as necessidades dos usuários sejam atendidas de maneira mais
eficiente.
Taurion ressalta
ainda que a correção de eventuais erros é mais fácil no ambiente
virtual. "Reformar toda a estrutura e layout é mais rápido na Internet
do que num ambiente físico. Diante disso, o usuário tem reações
típicas. Elas podem ser positivas ou não. A rapidez das respostas
permite contornar com maior agilidade o fracasso da nova empreitada",
explica.
Os cuidados
no momento de mudar a cara de um site valem para as próprias consultorias.
Depois de dois anos sem sofrer reformulações, o site do IDC Brasil
(www.idc.com.br) passa atualmente por uma reforma completa. Mauro
Peres, gerente de pesquisas da empresa, explica que a versão anterior
não atendia satisfatoriamente as necessidades do usuário.
Fidelização
A nova estrutura
prevê um visual mais elaborado e possibilidade de interação com
os analistas da empresa através de palestras online. Peres lembra
que é necessário ficar atento às dúvidas dos visitantes, normalmente
enviadas por e-mail. Ele considera as alterações parte do processo
evolutivo da relação da empresa com o cliente.
"As múltiplas
possibilidades oferecidas pelo correio eletrônico no atendimento
aos clientes e no esforço de sua fidelização são valiosos para a
melhoria do site. Através deste recurso temos a capacidade de atingir
uma presença eficaz na Internet", afirma.
As reformulações
também servem para refletir mudanças estratégicas. A Mundivox (www.mundivox.com),
empresa do setor de telecomunicações que chegou ao País no ano passado,
alterou a estrutura e o conteúdo do site com objetivo de priorizar
o atendimento ao cliente.
"O site antigo
era institucional, feito para investidores. A mudança causou impacto
nos tradicionais visitantes, que acabaram se habituando ao novo
estilo das páginas. O site atual conseguiu atingir seus objetivos
otimizando o espaço da tela. A necessidade da mudança acontece quando
existem dificuldades de satisfazer o cliente", explica Augusto Ribas,
vice-presidente da companhia.
Visitantes
podem não se habituar às novidades
O hábito é,
na opinião de especialistas, o maior obstáculo à aceitação de mudanças
em sites. O CEO do instituto de pesquisas e-bit (www.ebit.com.br),
André Sapoznik, acredita que qualquer alteração tem um risco associado
ao costume do usuário de acessar determinadas informações dispostas
na tela. A conseqüência negativa da novidade é o afastamento do
consumidor em função da dificuldade de navegar. Sapoznik lamenta
a impossibilidade de treinar os clientes para usufruir os novos
formatos. "Surpreender o visitante habitual significa informá-lo
de que há necessidade de buscar outras maneiras de procurar a informação.
No ambiente virtual, treiná-lo para essa prática é inviável", explica.
O diretor de marketing do Fulano (www.fulano.com.br), Marcello Hummel,
diz que a insatisfação com os serviços apresentados é verificada
através da diminuição do número de visitas. "O Fulano está na terceira
versão. As duas primeiras mudanças radicais no layout e na estrutura
não agradaram ao usuário habitual. Recebemos e-mails criticando
as duas formas. O site perdeu velocidade, pois não havia ordenação
de informações. Por esta razão houve queda na freqüência", conta.
A terceira versão encontra-se no ar desde dezembro do ano passado.
Para Hummel, o sucesso é conseqüência da organização do conteúdo
e a lógica da estrutura. "O Fulano registrou um aumento de visitas.
O resultado deve-se à forma bem estruturada das informações, aliada
a páginas atraentes", diz.
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