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Natal eletrônico é encarado com otimismo
Estado de S. Paulo
21/10/2001
 
Pesquisa do Ibope mostra que 40% dos consumidores planejam aumentar consumo
 

Apesar da crise econômica, os consumidores estão otimistas em relação ao Natal eletrônico, segundo a última pesquisa Web Shoppers, realizada entre julho e setembro pelo Ibope eRatings.com, Ibope eSurvey e e-bit (www.ebit.com.br). Entre os que fizeram compras de Natal pela Internet no ano passado, 83% esperam comprar pela rede também neste ano.

A maior fatia dos consumidores (40%) planeja aumentar os gastos em 2001, quando comparados com o ano anterior, e 31% esperam manter o volume de compras. "As pessoas estão comprando mais e com maior freqüência pela rede", afirma a gerente de operações e negócios do Ibope eSurvey, Luciana Gontijo.

A base de usuários de Internet continua crescendo, mas alguns analistas acreditam que a capacidade de expansão esteja chegando a um limite. De acordo com o Ibope, 6,089 milhões de usuários residenciais acessaram a rede mundial pelo menos uma vez em setembro. A base total somou 12,042 milhões. No mês de agosto, eram 6,038 milhões de internautas ativos e 11,938 milhões de pessoas com acesso em suas casas.

A pesquisa aponta o setor de turismo como o mais prejudicado pela crise - tendo como agravantes os ataques terroristas aos Estados Unidos. Entre os entrevistados, 63,2% disseram ter adiado viagem, enquanto 55% deixaram de adquirir aparelhos eletrônicos e 45%, automóvel. Em setembro, 1,893 milhão de usuários de Internet visitaram sites de comércio eletrônico.

Para o diretor geral do Submarino, Murillo Tavares, a redução nas viagens internacionais e a alta do câmbio estimulam as compras em lojas brasileiras da Internet. "Os consumidores online estão principalmente nas classes A e B, que reúne pessoas com hábito de viajar para o exterior. Com a desistência nas viagens, o aumento dos gastos individuais no Brasil deve compensar a crise econômica", explica.

O Submarino tem 700 mil usuários cadastrados, dos quais 450 mil já compraram na loja. Segundo Tavares, a empresa registra entre 20 mil e 30 mil novos consumidores todo mês. O Submarino faturou R$ 24,2 milhões no primeiro semestre do ano, comparados com R$ 26 milhões em todo o ano passado.

O otimismo em relação ao Natal eletrônico é reforçado pelo diretor de vendas do UOL, Alon Feuerwerker. O executivo acredita que, em reais, as vendas deste ano podem ser maiores do que as do ano passado. De acordo com a pesquisa Web Shoppers, 51% dos consumidores gastaram entre R$ 101 e R$ 500 em suas compras de Natal pela Internet no ano passado e 10% mais de R$ 500. Para este ano, 13% pretendem gastar mais de R$500, enquanto a fatia que planeja gastos entre R$ 101 e R$ 500 se manteve inalterada.

A pesquisa aponta que para 92% o Brasil atravessa uma crise econômica. Apesar disso, 37% não alteraram seu padrão de consumo e 62% adquirem produtos com freqüência pela rede. Ou seja, realizaram três ou mais compras nos últimos três meses. Já o presidente da AOL Brasil, Carlos Trostli, encara o final do ano com cautela. "O comércio eletrônico sentiu a retração econômica", diz Trotsli. O executivo espera que, no Natal, os consumidores façam mais compras pela Internet do que em 2000-4, mas optem por produtos com preços menores.

 
RENATO CRUZ
 
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