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B2C diminui preço do frete e vende mais
Gazeta Mercantil
26/11/2001
 
As tarifas de entrega caem em torno de 30% e os portais travam uma guerra de promoções, com facilidades para pagamentos
 

O varejo eletrônico (business to consumer, ou B2C) atravessa uma nova fase. Depois de ter a credibilidade abalada devido a atrasos nas entregas em 1999, quando ainda engatinhavam, as pontocom arrumaram a casa no ano seguinte e investiram em logística. Neste ano, diversificaram os produtos e estão mais preparadas para cumprir os prazos previstos e atender a demanda, sem problemas com estoques. Comportam-se agora como as lojas de varejo comum e estão mais preocupadas em oferecer preços atraentes e melhores condições de pagamento - parcelam em até 12 vezes sem juros no cartão de crédito -, em vez de simplesmente entregar no prazo e oferecer a comodidade do pedido online.

Os resultados são perceptíveis. A líder Submarino espera faturar R$22 milhões em dezembro, mês de maior movimento - no ano o número ficará em torno de R$80 milhões. Em dezembro de 2000-4, as vendas somaram R$8 milhões. No ano todo, foram R$26 milhões. A Americanas.com, concorrente mais imediato, não divulga números por se tratar de companhia aberta.

De acordo com pesquisa feita pela e-bit (www.ebit.com.br), especializada em levantamentos sobre o comércio eletrônico, o gasto médio dos usuários deverá saltar de R$166 em dezembro do ano passado para R$300 para o próximo mês.

O aumento no público é percebido pelos principais portais de acesso, que dobraram o número de usuários neste ano. O IG conta com 3,3 milhões de cadastrados, vai lançar um novo shopping virtual para grandes datas, resultado do IG Shop e do Shopping do hpG, site de páginas pessoais comprado em julho. Já UOL e BOL juntam as forças e lançam juntos um mega catálogo par o Natal, com previsão de 2 milhões de visitas até 26 de dezembro.

Há uma grande disputa para conquistar adeptos para as venda online. "Fazemos um monitoramento constante dos preços da concorrência e vamos mudando o nosso ao longo do dia, se for preciso", afirma Peter Furukawa, diretor comercial do Submarino. Segundo ele, a empresa procura freqüentemente lançar promoções e oferecer preços competitivos até com as lojas de varejo convencionais. Além disso, a certeza de que a logística está afiada é tão grande que o site dá ao consumidor um bônus no valor da compra se a encomenda não for entregue no prazo prometido.

Vários sites de comércio eletrônico fecharam ao longo do ano. Mas os que ficaram mostram que não estão para brincadeiras e não querem dormir no ponto. O Submarino começou vendendo livros e CDs e durante o ano incluiu eletroeletrônicos e eletrodomésticos. O crescimento foi rápido: cerca de 50% das vendas já são de eletroeletrônicos. Enquanto isso, Americanas.com, loja virtual de uma rede varejista, passou a oferecer livros esse mês. "O site colocou mil best-sellers à venda, e para compras acima de três itens (livro, CD ou DVD), o frete é gratuito", diz Rodrigo Mascarenhas, diretor de Marketing da Amaricanas.com. O mercado, segundo ele, está hoje mais agressivo. "Buscamos o diferencial com as promoções e com a qualidade da entrega", diz.

Ao visitar os dois sites, o internauta pode perceber que os preços cobrados nas ofertas dos livros, por exemplo, são semelhantes. A diferença fica por conta do frete para um ou dois itens, mas no geral um produto procura acompanhar o outro também nesse quesito.

O frete é fator importante. O preço médio do transporte para vendas na Internet caiu em média 30% ao longo do ano, estima Peter Furukawa, do Submarino. Segundo ele, essa redução está fazendo com que os sites tenham preços competitivos, o que estimula a compra de produtos de maior valor agregado.

Um dos nós das compras pela Internet era justamente o custo de entrega. O frete, muitas vezes chegava a custar metade do preço do produto vendido - para um CD de R$20, cobrava-se, por exemplo, até R$10. Agora, cobra-se em torno de R$3. A mudança foi possível pela troca das entregas expressas feitas por transportadoras pelos Correios, hoje um grande aliado dos sites de Internet. Os Correios lançaram, em outubro do ano passado o e-Sedex, com prazos curtos de entrega - o produto pode chegar ao comprador até as dez horas do dia seguinte de postagem. A estatal responde por mais de 70% das entregas das vendas online em todo o Brasil e deve faturar este ano R$10 milhões com o e-Sedex (1,5% do faturamento total do Sedex). "Nenhuma empresa privada tem a capilaridade dos Correios", lembra André Sapoznik, principal executivo da e-bit.

No caso de grandes volumes, como geladeiras e máquinas de lavar roupa ou louça, os fretes são menos competitivos em relação aos do comércio convencional. Mas se, como ocorreu com discos e livros, a compra desses produtos crescer, o custo da entrega deverá também recuar. Este movimento já ocorre com bens de porte intermediário, como os eletroeletrônicos. "Este será o ano dos eletroeletrônicos", afirma Furukawa.

Assim, as pontocom, mesmo aquelas cujas vendas não estão diretamente ligadas à data, esperam um Natal mais gordo, como é o caso da Saraiva.com, cujo maior volume de vendas ocorre na volta às aulas. A Saraiva.com colocou na lista de vendas além dos tradicionais CDs e livros, um variado leque de itens de informática. A previsão é de um crescimento de 50% das vendas em dezembro do ano passado. No ano passado, as vendas devem mais do que dobrar em comparação com 2000-4.

Para os especialista do mercado, houve um amadurecimento dos sites. Os internautas percebem isso. Uma pesquisa feita pela e-bit com 18.839 consumidores, mostra que em outubro de 2000-4, 79% deles mostravam-se satisfeitos com a compra feita pela Internet. Em outubro deste ano, o número subiu para 84,6%. Mas ainda há arestas a aparar.[...]

 
ROSANA HESSEL
 
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