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O varejo eletrônico
(business to consumer, ou B2C) atravessa uma nova fase. Depois de
ter a credibilidade abalada devido a atrasos nas entregas em 1999,
quando ainda engatinhavam, as pontocom arrumaram a casa no ano seguinte
e investiram em logística. Neste ano, diversificaram os produtos
e estão mais preparadas para cumprir os prazos previstos e atender
a demanda, sem problemas com estoques. Comportam-se agora como as
lojas de varejo comum e estão mais preocupadas em oferecer preços
atraentes e melhores condições de pagamento - parcelam em até 12
vezes sem juros no cartão de crédito -, em vez de simplesmente entregar
no prazo e oferecer a comodidade do pedido online.
Os resultados
são perceptíveis. A líder Submarino espera faturar R$22 milhões
em dezembro, mês de maior movimento - no ano o número ficará em
torno de R$80 milhões. Em dezembro de 2000-4, as vendas somaram R$8
milhões. No ano todo, foram R$26 milhões. A Americanas.com, concorrente
mais imediato, não divulga números por se tratar de companhia aberta.
De acordo com
pesquisa feita pela e-bit (www.ebit.com.br), especializada
em levantamentos sobre o comércio eletrônico, o gasto médio dos
usuários deverá saltar de R$166 em dezembro do ano passado para
R$300 para o próximo mês.
O aumento no
público é percebido pelos principais portais de acesso, que dobraram
o número de usuários neste ano. O IG conta com 3,3 milhões de cadastrados,
vai lançar um novo shopping virtual para grandes datas, resultado
do IG Shop e do Shopping do hpG, site de páginas pessoais comprado
em julho. Já UOL e BOL juntam as forças e lançam juntos um mega
catálogo par o Natal, com previsão de 2 milhões de visitas até 26
de dezembro.
Há uma grande
disputa para conquistar adeptos para as venda online. "Fazemos um
monitoramento constante dos preços da concorrência e vamos mudando
o nosso ao longo do dia, se for preciso", afirma Peter Furukawa,
diretor comercial do Submarino. Segundo ele, a empresa procura freqüentemente
lançar promoções e oferecer preços competitivos até com as lojas
de varejo convencionais. Além disso, a certeza de que a logística
está afiada é tão grande que o site dá ao consumidor um bônus no
valor da compra se a encomenda não for entregue no prazo prometido.
Vários sites
de comércio eletrônico fecharam ao longo do ano. Mas os que ficaram
mostram que não estão para brincadeiras e não querem dormir no ponto.
O Submarino começou vendendo livros e CDs e durante o ano incluiu
eletroeletrônicos e eletrodomésticos. O crescimento foi rápido:
cerca de 50% das vendas já são de eletroeletrônicos. Enquanto isso,
Americanas.com, loja virtual de uma rede varejista, passou a oferecer
livros esse mês. "O site colocou mil best-sellers à venda, e para
compras acima de três itens (livro, CD ou DVD), o frete é gratuito",
diz Rodrigo Mascarenhas, diretor de Marketing da Amaricanas.com.
O mercado, segundo ele, está hoje mais agressivo. "Buscamos o diferencial
com as promoções e com a qualidade da entrega", diz.
Ao visitar os
dois sites, o internauta pode perceber que os preços cobrados nas
ofertas dos livros, por exemplo, são semelhantes. A diferença fica
por conta do frete para um ou dois itens, mas no geral um produto
procura acompanhar o outro também nesse quesito.
O frete é fator
importante. O preço médio do transporte para vendas na Internet
caiu em média 30% ao longo do ano, estima Peter Furukawa, do Submarino.
Segundo ele, essa redução está fazendo com que os sites tenham preços
competitivos, o que estimula a compra de produtos de maior valor
agregado.
Um dos nós das
compras pela Internet era justamente o custo de entrega. O frete,
muitas vezes chegava a custar metade do preço do produto vendido
- para um CD de R$20, cobrava-se, por exemplo, até R$10. Agora,
cobra-se em torno de R$3. A mudança foi possível pela troca das
entregas expressas feitas por transportadoras pelos Correios, hoje
um grande aliado dos sites de Internet. Os Correios lançaram, em
outubro do ano passado o e-Sedex, com prazos curtos de entrega -
o produto pode chegar ao comprador até as dez horas do dia seguinte
de postagem. A estatal responde por mais de 70% das entregas das
vendas online em todo o Brasil e deve faturar este ano R$10 milhões
com o e-Sedex (1,5% do faturamento total do Sedex). "Nenhuma empresa
privada tem a capilaridade dos Correios", lembra André Sapoznik,
principal executivo da e-bit.
No caso de grandes
volumes, como geladeiras e máquinas de lavar roupa ou louça, os
fretes são menos competitivos em relação aos do comércio convencional.
Mas se, como ocorreu com discos e livros, a compra desses produtos
crescer, o custo da entrega deverá também recuar. Este movimento
já ocorre com bens de porte intermediário, como os eletroeletrônicos.
"Este será o ano dos eletroeletrônicos", afirma Furukawa.
Assim, as pontocom,
mesmo aquelas cujas vendas não estão diretamente ligadas à data,
esperam um Natal mais gordo, como é o caso da Saraiva.com, cujo
maior volume de vendas ocorre na volta às aulas. A Saraiva.com colocou
na lista de vendas além dos tradicionais CDs e livros, um variado
leque de itens de informática. A previsão é de um crescimento de
50% das vendas em dezembro do ano passado. No ano passado, as vendas
devem mais do que dobrar em comparação com 2000-4.
Para os especialista
do mercado, houve um amadurecimento dos sites. Os internautas percebem
isso. Uma pesquisa feita pela e-bit com 18.839 consumidores, mostra
que em outubro de 2000-4, 79% deles mostravam-se satisfeitos com a
compra feita pela Internet. Em outubro deste ano, o número subiu
para 84,6%. Mas ainda há arestas a aparar.[...]
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