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Eletrônicos vão dominar o Natal
Valor Econômico
14/11/2001
 
Companhias já preparam estoques e estrutura para as festas deste ano
 

Os aparelhos de DVD e os computadores de mão vão encabeçar a lista de desejos do consumidor neste Natal na Internet. A tendência já se esboçava no fim de 2000-4, mas só agora ganha consistência, concordam executivos das principais lojas virtuais.

Para dar conta do recado, as empresas já começam a reforçar a infra-estrutura de atendimento, estoque e entregas. As expectativas de negócio, no entanto, variam muito. Enquanto alguns esperam uma explosão de vendas, outros prevêem acréscimo significativo, mas sem surpresas. Para esse grupo, é a vez do Natal "pé-no-chão".

Entre os mais animados, o Submarino espera dobrar o número de pedidos diários, para 14 mil, entre os dias 19 e 21 de dezembro. A empresa já tem estocados 61 mil itens entre eletroeletrônicos, equipamentos de informática, livros, CDs e DVDs. Será o maior Natal da companhia, acreditam seus dirigentes.

A aposta é tão grande que a projeção é obter 35% da receita anual no próximo período de festas. Murillo Tavares, presidente do Submarino, espera vender 6 mil aparelhos de DVD, o que representa 10% do movimento de aparelhos que serão vendidos na temporada.

Já na Americanas.com o otimismo inclui, além da venda de laptops, a de TVs de tela plana e de 34 polegadas. "Estamos falando de um consumidor disposto a gastar mais de R$ 700", afirma Rodrigo Mascarenhas, diretor de marketing do site. Com isso, ele espera um crescimento de até 10 vezes na demanda pelos produtos oferecidos pela loja virtual.

No portal Yahoo!, a expectativa também é enorme: crescer 250% em relação ao Natal do ano passado. Para atingir esse desempenho, a empresa vai ampliar o número de lojas, de 12 para 14, nos próximos dias. É bom lembrar que, no caso do Yahoo!, a base de comparação é muito pequena, já que a loja virtual foi montada em dezembro de 2000-4.

No Amelia.com, do grupo Pão de Açúcar, medidas especiais também já foram definidas. A previsão é aumentar em 50% a capacidade do call center e do número de vans para transportar produtos. O portal também prevê abrir um terceiro turno na operação, que passará a funcionar 24 horas por dia.

No Ponto Frio, a operação online é a 4ª principal loja da rede - que tem 353 pontos físicos - e já atingiu o equilíbrio financeiro tão almejado na web. Apesar disso, a posição é de prudência. Não está prevista nenhuma explosão de vendas. A expectativa é de crescer entre 50% e 70%, mas isso não chega a ser novidade. "Há 53 anos, desde que a empresa foi criada, dezembro corresponde às vendas de dois meses comuns", diz Ike Zarmati, diretor executivo. "Já estamos preparados para isso."

A companhia não revela detalhes da estratégia, mas Zarmati deixa claro que o aumento da infra-estrutura será proporcional ao da demanda. "Como há ganhos nos processos, a estrutura não precisa dobrar, mesmo com a duplicação das vendas."

O otimismo desses executivos pode ser justificado pelas várias pesquisas sobre as vendas deste Natal e as previsões do faturamento com comércio eletrônico este ano. Segundo o Boston Consulting Group, o varejo online vai movimentar US$ 906 milhões no Brasil este ano, um aumento de 170% em relação a 2000-4. A e-bit (www.ebit.com.br), empresa que mede a satisfação dos clientes, constatou que o crescimento do número de visitas aos sites de comércio eletrônico vem aumentando mais que os das outras categorias. Além disso, os índices de satisfação também cresceram. Em outubro, 84% dos compradores disseram que estão satisfeitos com as compras via internet. Por isso, o ticket médio de compra deverá ficar em R$ 300, contra R$ 253 do ano passado, de acordo com André Sapoznik, presidente da e-bit.

 
LINO RODRIGUES E JOÃO LUIZ ROSA
 
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