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O consumidor
online brasileiro preocupa-se com a segurança na Internet, mas não
deixa de fazer compras e contratar serviços em função desse temor.
Essa é a principal conclusão do estudo "Segurança e privacidade
na Internet", realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers
e pelo site de pesquisas e-bit (www.ebit.com.br).
A pesquisa divulgada
ontem indica que 89% dos usuários realizam transações online mesmo
que isso possa colocar em risco sua privacidade. O temor dos consumidores
é maior no momento de fornecer dados da conta bancária e do cartão
de crédito - esses itens preocupam, respectivamente, 68% e 61% dos
entrevistados. Detalhes do comportamento sexual (54%), registros
médicos (46%) e informações sobre relacionamentos (46%) vêm em seguida.
De acordo com
Luís Otavio Amaral, responsável pela área de pesquisas do e-bit,
a questão da segurança na Internet representa um paradoxo. "A questão
da percepção e prática são muito distintas. Apesar de 90% das pessoas
terem medo de realizar compras na Internet com cartão de crédito,
85% das transações são feitas através desse meio", disse.
Eficiência
das leis
A pesquisa concluiu
que os consumidores online também não confiam plenamente em qualquer
dos tipos de regulamentação mencionados: 57% não se sentem protegidos
pelo Código de Defesa do Consumidor e 41% não acreditam na eficiência
das leis de proteção de dados.
Edgar D'Andrea,
diretor de gerenciamento de risco tecnológico da PricewaterhouseCoopers,
lembrou que, apesar de o internauta não deixar de comprar pela Internet
devido à sensação de exposição, as questões de segurança e privacidade
continuarão sendo fatores importantes de diferenciação entre as
companhias.
"Não acredito
que o volume de comércio eletrônico diminua. O que pode haver é
uma migração das compras para os grandes players que respeitam as
políticas de privacidade", disse o consultor. Esse é um mercado
que interessa diretamente à PricewaterhouseCoopers. Segundo D'Andrea,
o faturamento da consultoria com segurança alcança US$ 350 milhões
por ano. "Pesquisas dão conta de que o volume de gastos das
empresas com segurança vai dobrar ou até triplicar até 2005", disse
D'Andrea. Números da e-bit revelam que apenas 22% das mil
empresas brasileiras que oferecem serviço de compras pela Internet
divulgam sua política de privacidade nos sites.
Realizado entre
os dias 1º e 10 de outubro, a pesquisa incluiu um universo de 1.172
consumidores online. "A grande faixa de pesquisados concentrou-se
entre as pessoas de 25 a 50 anos, a maioria pertencente às classes
A e B, que são, na verdade, a população economicamente ativa da
Internet", explicou Luís Otavio Amaral. Segundo o Ibope, o potencial
consumidor da Web brasileira fica hoje entre 1 milhão a 2 milhões
de pessoas.
Usuário
insatisfeito busca amparo legal
Diante de um
caso de invasão de privacidade, 61,7% dos entrevistados na pesquisa
PricewaterhouseCoopers/e-bit procurariam os órgãos de defesa
do consumidor e 61,7% recorreriam a um advogado. "O curioso é que
o porcentual que iria atrás do provedor de acesso, 57,1%, praticamente
empata com os 54,5% que procurariam a própria empresa ou órgão responsável
pelo problema. Isso é preocupante", ressaltou Edgar D'Andréa, diretor
de gerenciamento de risco tecnológico da PricewaterhouseCoopers.
A sondagem aponta
os bancos online, lembrados por 47% dos entrevistados, como as instituições
mais confiáveis na proteção da privacidade. Os principais fatores
para se determinar a confiabilidade de um site são a marca da empresa
(74,3%) e os selos de certificação emitidos por terceiros (54,2%).
Ferramentas
como criptografia, cadeado fechado e política de privacidade foram
lembradas por apenas 4,7%. Apesar disso, o consumidor virtual garante
que procura ser cuidadoso ao realizar compras: 69% afirmam que lêem
as cláusulas de privacidade dos sites e 62% dizem que já deixaram
de fornecer dados pessoais após a leitura dessas cláusulas.
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