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Consumidor online ignora insegurança
Jornal do Commercio
01/11/2001
 
Estudo mostra atitude contraditória
 

O consumidor online brasileiro preocupa-se com a segurança na Internet, mas não deixa de fazer compras e contratar serviços em função desse temor. Essa é a principal conclusão do estudo "Segurança e privacidade na Internet", realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers e pelo site de pesquisas e-bit (www.ebit.com.br).

A pesquisa divulgada ontem indica que 89% dos usuários realizam transações online mesmo que isso possa colocar em risco sua privacidade. O temor dos consumidores é maior no momento de fornecer dados da conta bancária e do cartão de crédito - esses itens preocupam, respectivamente, 68% e 61% dos entrevistados. Detalhes do comportamento sexual (54%), registros médicos (46%) e informações sobre relacionamentos (46%) vêm em seguida.

De acordo com Luís Otavio Amaral, responsável pela área de pesquisas do e-bit, a questão da segurança na Internet representa um paradoxo. "A questão da percepção e prática são muito distintas. Apesar de 90% das pessoas terem medo de realizar compras na Internet com cartão de crédito, 85% das transações são feitas através desse meio", disse.

Eficiência das leis

A pesquisa concluiu que os consumidores online também não confiam plenamente em qualquer dos tipos de regulamentação mencionados: 57% não se sentem protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e 41% não acreditam na eficiência das leis de proteção de dados.

Edgar D'Andrea, diretor de gerenciamento de risco tecnológico da PricewaterhouseCoopers, lembrou que, apesar de o internauta não deixar de comprar pela Internet devido à sensação de exposição, as questões de segurança e privacidade continuarão sendo fatores importantes de diferenciação entre as companhias.

"Não acredito que o volume de comércio eletrônico diminua. O que pode haver é uma migração das compras para os grandes players que respeitam as políticas de privacidade", disse o consultor. Esse é um mercado que interessa diretamente à PricewaterhouseCoopers. Segundo D'Andrea, o faturamento da consultoria com segurança alcança US$ 350 milhões por ano. "Pesquisas dão conta de que o volume de gastos das empresas com segurança vai dobrar ou até triplicar até 2005", disse D'Andrea. Números da e-bit revelam que apenas 22% das mil empresas brasileiras que oferecem serviço de compras pela Internet divulgam sua política de privacidade nos sites.

Realizado entre os dias 1º e 10 de outubro, a pesquisa incluiu um universo de 1.172 consumidores online. "A grande faixa de pesquisados concentrou-se entre as pessoas de 25 a 50 anos, a maioria pertencente às classes A e B, que são, na verdade, a população economicamente ativa da Internet", explicou Luís Otavio Amaral. Segundo o Ibope, o potencial consumidor da Web brasileira fica hoje entre 1 milhão a 2 milhões de pessoas.

Usuário insatisfeito busca amparo legal

Diante de um caso de invasão de privacidade, 61,7% dos entrevistados na pesquisa PricewaterhouseCoopers/e-bit procurariam os órgãos de defesa do consumidor e 61,7% recorreriam a um advogado. "O curioso é que o porcentual que iria atrás do provedor de acesso, 57,1%, praticamente empata com os 54,5% que procurariam a própria empresa ou órgão responsável pelo problema. Isso é preocupante", ressaltou Edgar D'Andréa, diretor de gerenciamento de risco tecnológico da PricewaterhouseCoopers.

A sondagem aponta os bancos online, lembrados por 47% dos entrevistados, como as instituições mais confiáveis na proteção da privacidade. Os principais fatores para se determinar a confiabilidade de um site são a marca da empresa (74,3%) e os selos de certificação emitidos por terceiros (54,2%).

Ferramentas como criptografia, cadeado fechado e política de privacidade foram lembradas por apenas 4,7%. Apesar disso, o consumidor virtual garante que procura ser cuidadoso ao realizar compras: 69% afirmam que lêem as cláusulas de privacidade dos sites e 62% dizem que já deixaram de fornecer dados pessoais após a leitura dessas cláusulas.

 
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