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Livros e CDs
foram a vedete das compras online por quase dois anos. Com preços
baixos, ajudaram a popularizar os sites de comércio eletrônico.
Agora que já cumpriram o seu papel, chegou o momento de saírem de
cena. A vez é dos aparelhos de DVDs de R$ 899, das lavadoras de
R$ 898 e dos telefones celulares de R$ 1.390. Mercadorias que custam
menos de R$ 100 são cada vez mais raras. "Há um movimento nítido
por parte das lojas para aumentar o valor em busca de margens melhores",
diz André Sapoznik, da e-bit (www.ebit.com.br), que faz pesquisas
com Internet. "Isso ocorre porque o custo de entregar um pedido
de R$ 180 não é três vezes maior que levar uma compra de R$ 60."
O esforço tem
obtido efeito. De acordo com a e-bit, que investiga quase
400 lojas virtuais, o tíquete médio (média no valor de todos os
pedidos) ultrapassou os R$ 200 pela primeira vez em abril deste
ano. No mês passado, estava em R$ 225. Até mesmo o site Submarino,
que ganhou fama vendendo CDs e livros a preço baixo, deve 55% do
seu faturamento a eletrodomésticos, eletroeletrônicos e produtos
de informática. Na Americanas.com, que mostra um home theater de
R$ 2.049 na página principal, o tíquete dobrou em um ano, de R$
150 para R$ 300. No Amélia.com, do Pão de Açúcar, o valor, que sempre
foi elevado, pulou de R$ 235 no início do ano para R$ 295 em agosto.
No Shoptime.com, o tíquete em um ano saiu de R$ 190 e foi para R$
300. "Quem vive de livros e CDs dificilmente vai ter rentabilidade
tão cedo", diz Maria Isabel di Celio, diretora de Internet do Shoptime.com.
Na Cultura, cada pedido sai por aproximadamente R$ 83. As duas,
contudo, levam vantagem sobre as pontocom puras porque contam com
o amparo de uma loja tradicional por trás.
Prevenidos.
Há também quem tomou precauções desde o início. Na loja virtual
do Ponto Frio, tradicional vendedor de eletrodomésticos, o tíquete
médio nunca foi inferior a R$ 150. E não foi sem querer. "Vender
produtos de baixo valor, como bombons e talcos, na Internet é pedir
castigo", diz Ike Zarmati, diretor-executivo de Internet do Ponto
Frio. Com aparelhos de som e aparelhos de DVDs no site, a empresa
consegue um valor médio invejável de R$ 500 - um número ainda maior
que o tíquete não menos desprezível de R$ 295 do Amélia.com, do
grupo Pão de Açúcar. "É um problema de aritmética. Tiramos todas
as coisas de preço baixo do site", afirma Zarmati. Outro que pode
se gabar dos próprios números é o site de venda de automóveis Carsale.
O tíquete médio fica entre R$ 19 mil. Em vez de cobrar uma porcentagem,
o que se tornaria impraticável, o site cobra um valor fixo não revelado,
mas que certamente fica acima de R$ 150 por transação. Na maioria
das vezes, o comprador pega o carro na concessionária, o que barateia
custos. "Entramos no azul com apenas seis meses no ar", diz Glauco
Lucena, gerente de conteúdo do Carsale.
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