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O preferido da internet
Por Pedro Guasti
O alto desempenho do comércio eletrônico no Brasil tem despertado mais do que nunca a atenção das empresas, dos consumidores e da mídia em geral. Nunca se ouviu tanto falar de compras online. E nem poderia ser diferente. As compras de bens de consumo realizadas nesse segmento atingiram um faturamento de R$ 4,4 bilhões em 2006, ou seja, um crescimento de 76% em relação ao ano anterior. E para que as vendas de bens de consumo pela internet pudessem chegar a este patamar, os cartões de crédito, apontados como a moeda preferida dos internautas, obtiveram um papel muito importante, sendo a sua participação responsável por 73% do volume total transacionado na rede, ou seja, cerca de R$ 3,2 bilhões somente no ano de 2006.
Essa união, entre cartão de crédito e internet, se fortalece a cada ano por ser o meio de pagamento mais adaptado ao ambiente virtual. Com a sua utilização, o processo de aprovação da compra e o recebimento da mercadoria são agilizados, o que faz com que o internauta opte, entre tantas outras formas de pagamento, pelo seu uso. Outro fator que tem contribuído bastante para a consolidação do dinheiro de plástico no mercado financeiro é a estratégia que as empresas emissoras de cartão de crédito têm adotado para diversificar o público que utiliza esse meio de pagamento. É cada vez mais notável, a aceitação e inserção das pessoas de renda menos favorecidas que passam a utilizar esse tipo de pagamento.
Além disso, essas mesmas pessoas começaram a ver com 'outros olhos' essa modalidade de pagamento já que muitas bandeiras permitem o parcelamento dos produtos em até 12 vezes sem juros, além de possibilitar que o consumidor pague a fatura com a compra somente após o recebimento da mercadoria, o que não ocorre com os cartões de débito ou cheques. Para esse ano, com o aumento do número de usuários de computador - mais de 2 milhões de pessoas compraram o primeiro PC em 2006, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) - a tendência é que esse casamento melhore ainda mais com a expectativa de que cerca de 2,8 milhões de brasileiros terão sua primeira experiência de compra em 2007.
Os usuários
Dentre os portadores de cartão de crédito, que utilizaram esse meio de pagamento para efetuarem suas compras online no mês de fevereiro de 2007, 42% são do sexo feminino contra 58% do sexo masculino. Porém, de acordo com dados do IBGE, a tendência é que essa diferença diminua nos próximos anos, já que a porcentagem da população economicamente ativa (PEA) está quase que equiparada entre homens e mulheres, sendo 55% e 45% respectivamente. Além disso, existem dois outros fatores que influenciam bastante na participação do cartão de crédito como meio de pagamento para as compras online. São eles: renda familiar e escolaridade.
Quando verificamos o perfil do usuário que paga suas compras feitas na web com o dinheiro de plástico, constatamos que as pessoas com um poder aquisitivo maior e com um nível de escolaridade mais elevado preferem essa modalidade de pagamento para suas aquisições na rede. Cerca de 80% das pessoas que tem Pós-Graduação e 83% das que ganham mais de R$ 8.000 optam por esse tipo pagamento. Para efeito de comparação, vale pontuar que o inverso também acontece. Entre as pessoas que concluíram apenas o Ensino Médio, a participação dos boletos bancários é mais alta daquelas que possuem, pelo menos, o nível superior completo. Para se ter idéia, das pessoas que ganham entre R$ 1.000 e R$ 3.000, cerca de 14% adotaram, em fevereiro, o boleto bancário contra somente 9% daquelas com renda acima de R$ 8.000.
A explicação para esse fenômeno pode ser baseada na confiança que o consumidor adquire em relação à internet. A probabilidade de pessoas que apresentam um nível de escolaridade mais elevado e uma renda mais alta terem tido um contato mais cedo com a internet e, consequentemente, com o comércio eletrônico favorece na escolha da utilização do cartão de crédito como meio de pagamento, já que por terem o hábito de adquirir produtos pelo canal, o grau de confiança é maior para, por exemplo, digitar os números de seu cartão de crédito nas transações virtuais.
O mesmo não acontece com a classe C que passou a ter acesso à internet mais recentemente. Por isso, esses 'novos' e-consumidores ainda demonstram certo receio com relação a esse tipo de pagamento. Porém, a tendência é que esse cenário se modifique, já que com os programas de inclusão digital promovidos pelo governo brasileiro e com a venda cada vez mais acentuada de computadores populares para essa classe menos abastada, é de se esperar que esse público comece a efetuar suas compras virtuais com uma freqüência maior na rede o que implica em obter um grau de confiança também mais alto, favorecendo dessa forma na escolha do cartão de crédito como meio de pagamento.
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