Publicação de Artigos

<< voltar

A cor (de rosa) da Internet
Por Pedro Guasti

O crescimento da participação feminina na web brasileira vem modificando constantemente o cenário do comércio eletrônico no País. Se antes, no início do e-commerce brasileiro, produtos de telefonia, eletrônicos, áudio e vídeo lideravam absolutos nos rankings dos mais vendidos pela rede, hoje, ofertas relacionadas à vaidade feminina que se encaixam perfeitamente na categoria de Saúde e Beleza, como perfumes e cosméticos, começam a ganhar destaque nas páginas da internet e garantem a esses produtos recordes de crescimento.

Segundo o Relatório Web Brasil divulgado recentemente pelo Ibope/NetRatings, o número de brasileiros com acesso à Internet no país somou 33,15 milhões de pessoas em abril, crescimento de 3,2% sobre os 32,1 milhões do mesmo mês de 2006. Desses, 15,9 milhões de pessoas possuem acesso residencial à web, aumento de 18,6% na comparação com o mesmo mês. Comparando-se esse número com o total de mulheres que navegaram, a partir de casa, em sites de e-commerce em 2005, houve um aumento de 35%.
 
Com esse aumento, o percentual do público feminino que compra pela internet também cresceu. Enquanto em 2000, as mulheres representavam 37% do total de pessoas que adquirem produtos pela rede, no final de 2006 esse número já saltou para 43%.

O fato de as mulheres participarem mais ativamente das decisões nos lares brasileiros, bem como o fato de conciliarem a jornada de trabalho externo com as “eternas” tarefas domésticas, fez com o comércio eletrônico se tornasse uma alternativa – talvez a melhor opção – para ganhar tempo nas compras para o lar, sejam elas de supermercado até presentes para a família e também aumentar a renda familiar, já que em muitos casos, os produtos oferecidos pelo canal são vendidos a preços menores se comparados àqueles praticados no varejo tradicional.

Dessa forma, torna-se cada vez mais comum, ao visitarmos sites de e-commerce nos depararmos com vitrines que trazem expostos produtos de apelo mais feminino do que estávamos habituados antigamente. A marca histórica de aproximadamente 43% dos e-consumidores brasileiros serem mulheres faz com que a oferta de produtos como jóias, relógios, eletrodomésticos, eletroportáteis, cuidados pessoais e até mesmo vestuário apresentem resultados tão bons e com expectativa de crescimento tanto quanto àqueles dedicados ao público masculino.

Além disso, a cada ano, mais pessoas aderem às vantagens de comprar pela internet. Seja pela facilidade e agilidade na comparação de preços de produtos ou serviços ou pela comodidade de comprar sem sair de casa, o número de e-consumidores no Brasil já contabiliza aproximadamente 7 milhões de pessoas.

A tendência é que esse número continue crescendo nos próximos anos, atingindo até o final desse ano a marca de aproximadamente 10 milhões de pessoas que já tiveram uma primeira experiência de compra pela internet.
E falando especificamente sobre a participação do público feminino, a expectativa é de que até o final do ano, a participação feminina atinja picos de 45% de representatividade, percentual já atingido no mês de abril e até  recorde na história do e-commerce nacional.

Por outro lado, apesar de aumentarem sua participação nas vendas do comércio eletrônico nos últimos anos de 37% para 43%, as mulheres ainda gastam menos do que os homens quando “saem” às compras pela internet.

Isso acontece pois as compras do sexo feminino ainda estão concentradas em produtos de baixo valor agregado, como Cuidados Pessoais (Secadores, Chapinhas, Barbeadores etc), Moda e Acessórios e Cama, Mesa e Banho, nas quais tíquete médio registrado fica por volta de R$ 210.

Já a participação masculina em produtos de alto valor agregado (tíquete médio alto) é bem maior do que a feminina, como Eletrônicos, Eletrodomésticos e Informática, nos quais se verifica um tíquete médio de aproximadamente R$ 556.

É verdade que em alguns casos a indicação de compra, como eletrodomésticos, por exemplo, deve partir principalmente da mulher, mas cabe ao homem escolher o modelo devido à tecnologia existente nos produtos mais modernos.

Outro indicador sobre o aumento da participação feminina no e-commerce, mas em produtos de baixo valor agregado é que, hoje, elas são responsáveis pela maioria de pedidos de livros. Para se ter idéia, a categoria de Livros ocupa, tradicionalmente, em volume de vendas, o 1º lugar entre produtos mais vendidos pela internet no Brasil.