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E-commerce: boa maré que vem para ficar
Por Pedro Guasti
Faz tempo que o comércio eletrônico deixou de ser novidade. Ninguém também se arrisca a dizer que se trata de uma “moda” passageira e descartável nas opções de compra. Os números e as taxas de crescimento das vendas online nos últimos anos deixam qualquer economista espantado com a pujança desse mercado, comprovando que o segmento veio para ficar e evoluir. Enfim, estamos chegando ao ponto de consolidação do e-commerce nacional.
E não estou falando somente do faturamento das lojas, que teve sim um crescimento surpreendente. A 16ª edição do Web Shoppers, que analisa a evolução do comércio eletrônico junto a mais de 1.000 empresas, registrou um salto de 50% nos seis primeiros meses desse ano, se comparado ao mesmo período de 2006. Isso representou um faturamento de R$ 2,6 bilhões em vendas de bens de consumo (excluindo passagens aéreas, sites de leilão e automóveis) pelas lojas virtuais brasileiras.
Vale destacar ainda o aumento do tíquete médio (média de gasto dos “e-consumidores”). Só para se ter uma idéia, foram gastos em média R$ 296,00 em cada compra efetuada pela rede no primeiro semestre, o que significa um crescimento de 3% em relação ao tíquete médio referente ao mesmo período do ano passado. Ou seja, estamos gastando mais nas compras pela internet apesar da deflação ocorrida nesse canal conforme apurou o Programa de Administração do Varejo (Provar) e isso demonstra credibilidade – ponto para o e-commerce!
Quando o assunto é volume de pedidos, também temos que comemorar. Esse mesmo levantamento, realizado em julho, mostra que o setor fechou o semestre com 2,7 milhões de pedidos a mais que em 2006, atingindo 8,7 milhões de compras ao longo de seis meses. Esse movimento recorde está ligado a diversos fatores, mas é claro que é impulsionado pelas datas comemorativas, mesmo fenômeno observado no varejo físico.
No primeiro semestre, por exemplo, o Dia das Mães foi a grande alavanca de vendas. Só no período de 26 de abril a 12 de maio, o comércio eletrônico garantiu um faturamento de R$ 287 milhões, o que equivale a um crescimento de 63% em relação a 2006 e 11% do total registrado no primeiro semestre. O Dia das Mães também contribuiu para os consumidores gastarem mais pela internet – o tíquete médio nessas semanas ficou em torno de R$ 304,00 contra R$ 285,00 em 2006. O Dia dos Namorados foi o segundo impulsionador do semestre. Embora o faturamento tenha ficado um pouco abaixo da data anterior, as compras on-line promoveram uma movimentação importante, indicando um crescimento de 47% se comparado a 2006.
Analisando os produtos mais vendidos, o destaque foi a categoria de Informática, que devido à queda do dólar e, consequentemente, à valorização da moeda brasileira, deve continuar em alta no Natal deste ano. As categorias de Eletrônicos e Telefonia Celular também figuraram entre as melhores opções de presentes no primeiro semestre. Para o final do ano, a tendência é a mesma. A antiga preferência por produtos mais baratos como títulos de CD, DVD e Vídeo tem ficado mesmo para trás, mostrando um cenário ainda mais otimista para a disputa de fatias ainda maiores na carteira dos “e-consumidores”.
Por falar em estimativas para o final do ano, é hora de aquecer. Às vésperas da data mais aguardada pelos varejistas, o clima é de otimismo. Com a tendência de novos e-consumidores se renderem às facilidades do canal de compras pela internet, a previsão é fechar 2007 com 9,5 milhões de usuários – em 2006, foram 7 milhões. E não pára por aí. O período pré-Natal, que vai geralmente de 15 de novembro a 23 de dezembro, deve render algo em torno de R$ 1 bilhão. Isso representa um crescimento nominal de 45% em relação ao ano passado. Aos lojistas e redes de e-commerce, o recado está dado; mãos à obra!
* Pedro Guasti é diretor geral da e-bit
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