e-bit na mídia

Preço e prazo mais longo definem a venda na web
10/6/2010 Valor Econômico

Varejistas chegam a parcelar o pagamento em até 12 vezes

A facilidade de deslizar os dedos pelo mouse e fechar uma compra sem sair de casa já não é o principal atrativo para o consumidor on-line. O que faz esse comprador adquirir produtos na internet são os preços e condições de pagamento mais atraentes do que na loja física. A conclusão é de pesquisa da consultoria e-bit, divulgada com exclusividade pelo Valor.

Em geral, os varejistas que exploram os dois canais de vendas procuram oferecer na web descontos e prazos mais esticados de pagamento, que possam compensar o custo do frete. Na Saraiva.com, por exemplo, um jogo Playstation 3 pode ser encontrado a R$ 169, preço quase 60% menor que o da loja. Não por acaso, o canal online já representa 35% da venda da livraria Saraiva, dona de 84 lojas em 13 Estados e no Distrito Federal.

"A facilidade com que o consumidor faz pesquisas pela internet, utilizando inclusive comparadores como o Buscapé, leva o varejista a baixar seus preços", diz Marcílio Pousada, presidente da livraria Saraiva. As condições de pagamento oferecidas pela rede são mais competitivas na web: livros podem ser adquiridos em até 12 vezes sem juros, com parcelas mínimas de R$ 25, enquanto que nas lojas físicas o número de prestações não passa de seis, sendo cada uma no valor de R$ 50, no mínimo. Enquanto o parcelamento no cartão de crédito é usado em 36% das compras na loja física, na loja virtual essa opção responde por 73% das transações.

Se for conveniente ao consumidor, é possível reunir o melhor dos dois mundos, diz Pousada. "Ele pode comprar online e retirar na loja física, que também está autorizada a fazer o mesmo preço da internet". A Saraiva.com recebe entre 12 mil e 13 mil pedidos por dia. Mais de um terço (39%) das suas vendas estão fora do Estado de São Paulo, onde mantém o seu centro de distribuição (CD), o que demonstra que o consumidor consegue enxergar vantagens na compra on-line. Quanto mais distante é o CD do ponto de entrega, maior o frete.

O custo de receber o produto na porta de casa é a maior reclamação do comprador online, diz Pedro Guasti, diretor geral da e-bit. "Em uma pesquisa feita em abril, identificamos que 45% dos consumidores consideram o serviço ruim", diz. Segundo ele, os varejistas têm dificuldade em ser competitivos no frete porque há concentração de mercado. "Cerca de 10 operadores logísticos, com atuação nacional, adotam preços semelhantes".

Para compensar esse custo, a Giuliana Flores passou a vender arranjos e presentes em até seis vezes sem juros na loja on-line. A empresa, que conta com três lojas físicas na Grande São Paulo, também é dona dos sites Cestas Michelli e Nova Flor. "Nos três sites, as compras parceladas respondem por 60% do total", diz o diretor de marketing, Juliano Souza. Segundo ele, a operação on-line trabalhava com parcelamento de até quatro vezes até 2008. "Mas com a crise, decidimos que seria melhor esticar as parcelas para que o valor coubesse no bolso do consumidor", afirma.

A Giuliana Flores tem 70% das suas vendas concentradas na Grande São Paulo, mas entrega em mais de 1,1 mil cidades do país, às vezes com frete grátis. "Temos um mix de 72 produtos onde minha margem é maior e posso oferecer essa vantagem a consumidores de qualquer Estado", diz Souza.

Realizado em março, o levantamento da e-bit com 5.491 internautas integra a Pesquisa Cross Chanel, que envolveu ainda mil entrevistas em 70 cidades do país. Essa pesquisa, presencial, foi feita pelo Instituto Análise.

De acordo com o estudo, 52% dos consumidores on-online decidem comprar pela internet por conta de preço e condições de pagamento; 33% deles apontam a comodidade como principal motivo. Já entre a população em geral, 39% afirmam não comprar pela internet porque não se sentem totalmente seguros. Outros 34% dizem ser muito complicado adquirir um produto pela web.

Por Daniele Madureira



 

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