e-bit na mídia

Procura por artigos de moda na internet vem crescendo, mostra pesquisa
24/12/2009 Jornal do Brasil

Para desocupar armários, com várias roupas deixadas de lado, um grupo de amigas teve a ideia de vender os artigos usados, já que eram peças caras, de grifes famosas. Começaram com um bazar caseiro, até que informatizaram as vendas, criando o Adoro Brechó. Profissionais de marketing, Carolina Meirelles e Luisa Kovach conseguiram um bom resultado com o comércio eletrônico de roupas e puderam renovar suas gavetas. Com menos de um mês de existência, o site tem média diária de 1.200 visitantes. Hoje, a maioria das peças são novas – muitas ainda com etiqueta – de lojas como Maria Bonita Extra, Isabela Capeto, Osklen, Richard´s e A-Teen.

– Tivemos sorte. O projeto ficou ainda melhor do que tínhamos planejado. O boca a boca em tempos de Facebook e Twitter é impressionante – ressalta Luisa.

Por enquanto, as vendas são feitas somente pelo site, sem possibilidade de troca. Para orientar as clientes, o Adoro Brechó informa algumas medidas, em caso de dúvidas sobre o tamanho das peças. O pagamento é feito por depósito bancário e o frete, pelos correios. A maioria dos pedidos vem do Norte, Nordeste, Sul e interior de São Paulo.

Na tendência de outros países, como Estados Unidos, os brasileiros estão mudando seus hábitos de consumo e comprando mais roupas pela internet – principalmente as mulheres. Os pedidos online da categoria moda e acessórios aumentaram 108% em outubro em relação ao mesmo mês de 2008, de acordo com pesquisa da e-bit, site de consultoria de compras pela internet, com 120 consumidores de lojas virtuais conveniadas. O faturamento do nicho cresceu 115% no período.

Diretor geral da e-bit, Pedro Guasti informou que o tíquete médio de compras online hoje é de cerca de R$ 340, contra R$ 240 em 2001. A pesquisa mostra que as mulheres são maioria (51%) em volume de pedidos, dentre os consumidores de bens de consumo. Em 2001, as compras dos homens representavam 60%. Outro dado relevante é a faixa etária dos consumidores: o público acima de 50 anos responde por mais de 20% das vendas eletrônicas.

A estudante de publicidade Ticiane de Camargo vende roupas usadas e seminovas desde os 12 anos de idade. Ela também começou com um bazar em casa para as amigas, mas o negócio foi crescendo e Ticiane resolveu mostrar as peças em sites de relacionamento. O Brechic, há dois anos online, oferece roupas da Shop 126, Espaço Fashion, Farm e Zara, além de artigos importados.

A cada dois meses, a estudante faz uma geral no armário e seleciona as roupas, sapatos e acessórios que não usa mais para vender pela web. Ticiane faz promoções e pacotes, que podem incluir mais de uma peça.

– Estudo a possibilidade de abrir uma loja, mas de roupas novas e com a minha marca – disse a empresária virtual.

Também nos sites de relacionamento, a aposentada Anna Oliveira aproveita a oportunidade para ofertar peças seminovas, tanto nacionais quanto importadas, de sua neta de 1 ano. Ela começou com o perfil Baby Loly. Para acompanhar a idade da menina, o passou a se chamar Srtª Loly.

– As peças são higienizadas, passadas e lacradas em sacos plásticos, prontas para o uso, e custam cerca de 50% menos que as novas. Vale a pena porque as crianças crescem muito rápido – evidencia. As marcas de roupas infantis mais procuradas, segundo ela, são Karter's, Gymborre e Jane & Jack.

Para o diretor da e-bit, o comércio eletrônico de roupas brasileiro só tende a evoluir, principalmente se seguir os moldes americanos. “É um segmento com grande potencial para desenvolvimento. Até porque representa uma pequena fatia do total de vendas na web, cerca de 3%. Nos Estados Unidos, os bens de consumo são a segunda categoria mais vendida, perdendo somente para livros, que são os campeões até hoje”, destacou.

A pesquisa apontou que o segmento de vestuário tem conquistado a confiança dos consumidores, que até pouco tempo não se sentiam confortáveis em adquirir roupas que não pudessem tocar e experimentar.

– As lojas que comercializam esses tipos de produtos podem disponibilizar vídeos e imagens 3D, para que seus clientes sintam-se mais confiantes em efetuar pedidos de produtos que antes necessitavam ser obrigatoriamente experimentados pessoalmente – explicou Guasti.

Padronização

Um dos maiores entraves para a alavancar as vendas de roupas pela internet é falta de padronização de tamanhos. Por isso, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em parceria com a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), estão definindo normas de medidas. De acordo com a gestora do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da ABNT, Maria Adelina Pereira, até o final de 2010 as normas para adultos, que são mais complexas, já devem estar prontas, a tempo das vendas de Natal.

– O comércio pela internet teria resultado muito superior se as normas já estivessem prontas. Estimo que para o Natal de 2010 as vendas online devam triplicar – destacou Maria Adelina.

A referência não será mais por numeração de tamanho, como 40, 42 ou 44, e sim pelas medidas do corpo em centímetros, da cintura, tórax e busto. O processo de padronização começou com as meias e, desde o dia 1º de julho, foi colocado em consulta pública o projeto de norma infantil, que ficou pronto no dia 27 de novembro.

O site da loja Marisa, de moda feminina e roupas íntimas, já usa medidas de busto e cintura para classificar as peças que vende. Assim, ajuda o consumidor e atrai sua confiança na hora da compra.

Cuidados na compra online

Para a prevenção contra golpes e aborrecimentos, o sub-secretário do Procon-RJ, José Teixeira Fernandes, disse que os consumidores devem preferir sites com boas referências, indicados por amigos ou familiares. Ele alerta que as compras online de produtos novos garantem a devolução da mercadoria em caso de desistência por até sete dias. A devolução pode ser realizada pela mesma via de recebimento, sem ônus para o consumidor.

– Anotar as informações que permitam identificar e localizar a sede do fornecedor, como CNPJ, endereço, e os contatos realizados por e-mail ou fax, é importante para esclarecimentos ou reclamações – explicou Fernandes.



 

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