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Próximos desafios no comércio eletrônico
Por Pedro Guasti
O crescimento exponencial do comércio eletrônico consolida o período auspicioso que este setor do mercado está vivenciando atualmente. Os índices deste ano não só demonstram que houve a recuperação após a crise de 2008, como também abrem um cenário de mudanças positivas e de novos desafios para este setor em específico.
No WebShoppers, realizado em agosto, em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, divulgamos que o e-commerce no Brasil faturou R$ 6,7 bilhões no primeiro semestre, 30% a mais que o mesmo período em 2009. Dentre os principais fatores, a Copa do Mundo e o final da redução do IPI tiveram um papel fundamental no aquecimento nas vendas online. Isso acertou em cheio nossas expectativas no ano passado, e continua nos surpreendendo com o crescente aumento das demandas.
Um último estudo com a Fecomercio constatou que o faturamento total até julho foi de R$ 7,8 bilhões, um aumento de R$ 1,1 bilhão em apenas um mês. Esse montante ultrapassou o total das vendas de shopping centers da Grande São Paulo. Isso é um indicativo de que o e-commerce está se tornando um segmento importante, aumentando o foco dos grandes varejistas neste mercado e atraindo a entrada dos médios e pequenos empreendimentos do long tail.
Nesta equação, devem-se levar em conta vários fatores que estão estritamente conectados, desde as alternativas da macroeconomia global até as mudanças financeiras e sociais da população. Aumento dos índices de renda e emprego, retomada de crédito e uma confiança maior do consumidor impulsionaram o comércio eletrônico, além da entrada de novos players, fusão de grandes grupos de varejo e o crescente domínio das classes C e D nas compras online.
As previsões são bastante positivas para o final do ano. Estimamos que o comércio eletrônico encerre 2010 com um faturamento superior a R$ 14 bilhões, uma expansão de mais de 35% em relação a 2009. O número de pessoas que fizeram pelo menos uma compra na internet deverá aumentar consideravelmente. Espera-se que o ano se encerre com 23 milhões de e-consumidores, o que é um acréscimo estrondoso se compararmos com os 6 milhões de compradores online há 4 anos atrás.
A segurança digital também está mais sofisticada e eficaz. Métodos de prevenção e proteção às transações realizadas no ambiente eletrônico incentivam a uma confiança maior das pessoas ao comprar produtos e serviços na Internet. Isso, aliado ao conforto e comodidade, além da familiaridade idiossincrática já conhecida dos brasileiros com a Internet, aumenta consideravelmente as compras pelos consumidores. O crescimento do uso de equipamentos móveis com acesso a web também será um alavancador deste mercado onde dessa forma, a dinâmica do comércio ultrapassa a dependência sazonal de eventos especiais, como as tradicionais datas comemorativas.
Do outro lado, empresas de todos os portes avançam com mais profundidade no ambiente eletrônico e apostam em ações inovadoras e sofisticadas para obter um diferencial neste mercado já saturado. Logicamente, a competitividade fica ainda mais acirrada com a entrada intensificada de novos concorrentes, o que, na verdade, é extremamente saudável e necessário para a sobrevivência das corporações e quem ganha é o consumidor.
O cenário atual, em suma, mostra-se promissor e favorável ao crescimento do comércio eletrônico, que está, dia a dia, amadurecendo e conquistando novos consumidores, antes direcionados apenas a comprar livros pela Internet.
* Diretor-Geral da e-bit
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