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E-Commerce: Um negócio de sucesso
Por Pedro Guasti
O comércio via web começou em 1995, quando as primeiras lojas e portais descobriram um novo método para vender seus produtos. Nessa época, a internet ainda se encontrava na chamada “bolha de oportunidades”, estendendo-se até meados do ano 2000, quando aconteceu o grande estouro.
Passado o susto do estouro da bolha em meados de 2001, as empresas que investiam no sistema de comércio virtual encontraram dificuldades para obter aporte de capital, enfrentando a resistência quanto a novos investimentos, já que os investidores eram mais racionais e céticos em relação ao novo mercado que estava surgindo, principalmente com o risco de retorno sobre o investimento.
Ao longo da primeira década do século XXI, o e-commerce foi reunindo adeptos virtuais, que descobriram ali uma maneira de adquirir produtos de maneira alternativa a que estavam acostumados. Mas apenas a audiência dos visitantes nas lojas não era suficiente para sustentá-las. Via-se então a necessidade de trazer uma vantagem fundamental aos consumidores, algo que pudesse desviar a atenção do varejo tradicional: o preço. Como apelo, as lojas que surgiam apostavam em parcelamentos mais elásticos, aumentando a competitividade do setor.
Em 2002, Submarino e Americanas.com, duas das maiores lojas do setor atingiram o Breakeven Operacional, e o comércio eletrônico já alcançava um faturamento de R$ 850 milhões e registrava cerca de 1,7 milhão de e-consumidores. No ano seguinte, as lojas virtuais começaram a apresentar balanços positivos em suas finanças, o que mostrava que o negócio estava no caminho certo, visto que o faturamento havia crescido 41%, chegando aos R$ 1,2 bilhão.
Em 2004, os comparadores de preços e mecanismos de busca, como, por exemplo, BuscaPé e Google, começaram a se consolidar como grandes motivadores de compra via web. Os produtos mais procurados eram principalmente CD´s e DVD´s, além de livros.
Atualmente o comportamento de compras mudou bastante em relação aos “primórdios da internet”, pois com o nível de confiança e maturidade alcançada aliado às lojas tradicionais do varejo vendendo na web, vemos novos e-consumidores comprando produtos mais sofisticados e caros, como computadores, eletrônicos e eletrodomésticos.
O perfil do e-consumidor
Com o passar dos anos, o público do comércio eletrônico foi se modificando. A categoria de CD´s e DVD´s foi, aos poucos, caindo de posição no ranking de preferência dos consumidores. Produtos de maior valor agregado, como Televisores, Aparelhos de DVD, produtos de Informática e Telefonia Celular, ganharam espaço nas vendas via web.
E engana-se quem pensa que quem utiliza o e-commerce para fazer suas compras são, em sua maioria, jovens de classe alta. O público predominante é mais velho do que já foi outrora, além de menos escolarizado e com maior participação da classe C. Recente estudo da e-bit feito em parceria com o Instituto Análise no começo de 2009, revelou não só o perfil de consumo deste segmento de mercado, mas também quais os produtos que mais os estimulam a consumir. A maioria (40%) coloca-se dentro da categoria “tomadores de crédito”, pessoas acima dos 40 anos e que consideram o crediário a única maneira de se adquirir bens de consumo. Em compensação, os “antenados”, que possuem maior propensão a comprar via internet, são minoria (22%). Tudo isso porque um estudo do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas revelou que, nos últimos cinco anos, nenhuma outra classe social cresceu tanto no Brasil quanto a classe C quando o tema é capacidade de consumo. Essa variação do perfil dos consumidores também ganha força quando pensamos no grande mercado a que eles correspondem. A partir de 2005, a fusão de Americanas.com e Submarino criou o maior grupo de comércio eletrônico brasileiro, tornando-se uma das mais fortes empresas no setor.
Crescimento
De acordo com dados da e-bit, em 2006 o e-commerce faturou cerca de R$ 4,4 bilhões, número 76% maior do que o registrado no ano anterior, quando movimentou 2,5 bilhões. Esse foi o maior crescimento já registrado no canal. O e-commerce estava, de vez, consolidado e as lojas virtuais de grandes redes varejistas ganharam mais importância no cenário, visto que a concorrência aumentava a cada momento.
Os anos de 2007 e 2008 foram importantes para o comércio virtual. Em 2007, o faturamento foi de R$ 6,4 bilhões, crescimento nominal de 43% superior aos R$ 4,4 bilhões de 2006. Já em 2008, os desafios eram ainda maiores, pois uma situação de crise financeira esteve iminente em nossa economia. Mesmo assim, nesse ano, o e-commerce faturou R$ 8,2 bilhões, um resultado bastante expressivo se levarmos em conta o cenário mundial.
O ano seguinte foi ainda melhor: Ao final de 2009, foram faturados R$ 10,6 bilhões, o que representa um aumento nominal de 30% perante aos R$ 8,2 bilhões faturados anteriormente. Depois de passar praticamente inabalado pela crise mundial que afetou a economia do final de 2008 até meados de 2009, o e-commerce vem se fortalecendo, principalmente pela retomada do crédito ao consumidor e pela maior confiança em realizar compras virtuais. A entrada de novos players, a consolidação de outros e a fusão de grandes grupos de varejo, já conhecidos no mundo offline, contribuíram para alavancar a confiança neste canal, trazendo novos e-consumidores e alavancando as cifras do setor. No primeiro semestre de 2010, o setor movimentou R$ 6,7 bilhões.
Web 2.0
Outro fator que podemos citar no e-commerce é a internet colaborativa. O poder está cada vez mais nas mãos do consumidor, independentemente de seu perfil. A tomada de decisão da compra tem sido algo que os gerentes das lojas vêm apostando há algum tempo, já que muitas vezes os e-consumidores baseiam suas decisões de compras em opiniões postadas por outros usuários em blogs, fotoblogs, fóruns, comunidades e sites especializados.
Quando pensamos em comércio eletrônico não podemos ignorar as inovações e novas tendências que ele traz. Vale lembrar que, há alguns anos atrás, não se imaginava vender produtos de informática e aparelhos eletrônicos do jeito que se vende hoje. A tendência para os próximos anos é de que o poder do consumidor seja aliado a novas oportunidades que um mercado tão dinâmico como o e-commerce pode oferecer. Uma categoria que enfrenta dificuldades para se firmar nas vendas online devido à falta de padronização de sua logística de venda é a de Roupas e Assessórios.
Apesar de ter alta procura, a categoria enfrenta a desconfiança do consumidor, pois poucas lojas conseguem oferecer de maneira eficaz a certeza de que aquele produto irá se ajustar perfeitamente na pessoa da maneira que ela imaginava. No entanto, esse é um segmento do e-commerce que continua em ascensão.
Segurança
Falando um pouco sobre segurança nas transações online, sempre existem diversas alternativas para que a compra seja a mais segura e garantida possível. Uma delas é o Pagamento Digital, que funciona como um intermediador entre o lojista e o consumidor, garantindo que ambos saiam satisfeitos com a operação. Isso porque, para o lojista, garante o gerenciamento de risco das transações não presenciais evitando o “chargeback”, ou seja, o cancelamento da venda feita com cartão de crédito, que pode acontecer pelo não reconhecimento da compra por parte do titular do cartão ou até mesmo por uma fraude de titularidade, e para os consumidores, por sua vez, oferece mais segurança, pois poderão bloquear o pagamento em até 14 dias, caso não recebam o produto adquirido. Apesar da evolução e do crescimento, ainda existem desafios a serem superados no comércio eletrônico. A segurança ainda é um fator que gera desconfiança para os consumidores virtuais. Porém, o consumidor não pode ser ingênuo. É sempre preciso ser cuidadoso ao realizar uma operação online. Deve-se exigir que a loja tenha CNPJ, emita nota fiscal e possua uma boa política de devolução e troca de produtos. Hoje, é possível obter diversas informações a respeito das lojas. Além disso, o consumidor virtual deve suspeitar de preços e benefícios fora dos padrões do comércio.
E-commerce cada vez mais aceito!
As expectativas, daqui para frente, são de que o canal web continue a aumentar seu número de seguidores. E não é para menos, levando em conta o constante aumento no número de e-consumidores nos últimos anos. Para se ter uma idéia, estima-se que o número de pessoas que ao final de 2010 terão feito pelo menos uma compra via web passará de 23 milhões.
Ultimamente, temos acompanhando outro fator decorrente do crescimento do mercado: a descentralização do e-commerce em virtude da oferta de fornecedores especializados em ferramentas de comércio eletrônico, com preços bastante acessíveis para as PMEs. Este movimento, acrescido da entrada dos últimos grandes varejistas que ainda estavam fora do e-commerce, ocasionará uma melhor distribuição de faturamento entre os varejistas, chegando a um racional próximo ao mercado americano, onde atualmente três empresas são responsáveis por 22% do faturamento.
Finalmente, vale lembrar que a previsão de crescimento para 2010 no e-commerce é de 35%, em relação a 2009, alcançando assim a marca de R$ 14,3 bilhões de faturamento. O e-commerce, de fato, está ocupando espaço no coração dos brasileiros!
* Diretor-Geral da e-bit
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