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A cauda longa brasileira
Por Pedro Guasti
Quando o jornalista Chris Anderson apresentou para o mercado corporativo mundial a teoria da Cauda Longa, em meados de 1994, muitos passaram a entender o valor da relativização. Isso porque diversos nichos da indústria e do comércio que trabalhavam até então com a Internet tiveram a chance de entender que mais importante do que a grande audiência, o segredo do sucesso estava em estabelecer um relacionamento estreito com o consumidor, oferecendo a ele um produto ou serviço que se adequasse especificamente a cada uma das necessidades do mesmo.
Antes de prosseguir, é importante esclarecer o conceito Long Tail (nome original adotado inclusive no livro que viria a ser lançando por Anderson, em 1996). Segundo ele, a economia e a cultura estão mudando, fazendo com que o “sucesso” de vendas de poucos produtos – que se encontram no topo da curva do consumo e da demanda - passe a dividir audiência com ofertas de nicho, espalhadas por toda a extensão da curva.
A teoria fez sucesso imediato no mercado, já que se demonstrou verdadeira. Muito mais do que uma simples explicação filosófica, ela cooperou efetivamente para que se entendesse a fase de transformação pela qual o mercado passava. Entre os exemplos mais emblemáticos citados pelo autor, estava o caso do e-Bay, site de vendas norte-americano que acumulava na época 60 milhões de usuários ativos vendendo ou comprando mais de 30 milhões de itens, transformando-o em um dos maiores varejistas do mundo.
Já no Brasil, onde o comércio eletrônico começa a se desenvolver somente no final da década de 90, portanto, cerca de cinco anos mais tarde em relação aos principais mercados mundiais, é possível perceber que o movimento estabelecido pela Cauda Longa somente agora dá os primeiros sinais de relevância.
Segundo monitoramentos realizados pela e-bit nos trimestres (Q4/2008xQ4/2007 e Q1/2009xQ1/2008), os pequenos varejistas aumentaram sua participação de mercado principalmente pelo fato do líder nacional amargar, somente nos três primeiros meses de 2009, queda de 6,45% na participação global se comparado com igual período de 2008.
Entretanto, quando se olha para o acompanhamento do movimento histórico de desempenho do mercado varejista eletrônico, é possível perceber que o período em que houve o maior crescimento do faturamento está justamente no ano de 2006, quando o mercado alcançou incremento de 76%. Já não seria esse um resultado prático do efeito Cauda Longa?
A resposta é não, já que o movimento explica-se pelos processos de fusão, aquisição e investimento dos grandes players além do acréscimo no cronograma do varejo da copa do mundo de futebol, e não pela penetração dos pequenos, que até então permaneciam excluídos do processo. O principal motivo foi de não conseguir arcar com investimentos em plataformas tecnológicas e despesas como logística de distribuição, facilidades de pagamento e dispositivos anti-fraudes, entre outros pontos que facilitassem o lançamento do negócio. A participação no mercado do e-commerce só começa a sofrer mudanças a partir do surgimento de empresas de tecnologia especializadas, que passam a garantir infra-estrutura necessária a preços viáveis para os pequenos. Algumas delas até mesmo gratuitas.
Outro ponto de relevância dentro dessa movimentação fica por conta da crescente audiência dos buscadores e comparadores de preço, que de maneira democrática alinham as ofertas de grandes e pequenos, possibilitando que o e-consumidor tome sempre a melhor decisão de compra. Para se ter uma idéia da audiência que esses canais possuem, somente o líder em comparação de preços dentro da América Latina, o BuscaPé, acumula mais de 30 milhões de visitas por mês.
É preciso citar ainda a segurança proporcionada pelos meios de pagamento digitais, e o fato do consumidor sentir-se cada vez mais confiante para realizar negócios via internet quanto as lojas apresentam selos de certificação como o bitConsumidor oferecido pela e-bit de forma gratuita os varejistas virtuais. Isso, ligado ao fato de que a intenção de compra do e-consumidor para o trimestre Julho-Setembro/2009 ter o melhor índice registrado nos últimos três anos, com 74,2% (pesquisa realizada pela Provar/Fia/Fellisoni Consultores), servem como molas propulsoras para o crescimento do e-commerce brasileiro e o conseqüente crescimento da participação do e-commerce no faturamento total do varejo que ser aproxima de 3% do todo.
Não restam dúvidas de que o Brasil está pronto para uma nova realidade. E, se mais uma vez o país seguir o exemplo do que aconteceu em mercados mais desenvolvidos, em breve teremos maior relevância dos pequenos e médios varejistas virtuais dentro do mercado nacional. Viva a democracia!
* Diretor-Geral da e-bit
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